Lindeza do dia

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Paris, j’arrive!

Quando era adolescente, eu tinha uma verdadeira adoração pelo TVZ, o programa de clipes que passa no Multishow até hoje. Um dos vídeos que eu mais amava era de Paris Paris, cujo refrão é “I feel love, Paris, Paris, Love to love, feelings so close to my heart…”

Era engraçado, porque a música não era conhecida e não era de nenhum cantor famoso. Sim, porque Malcom McLaren nem cantor era. Ok, no clipe tem Catherine Deneuve, linda de viver falando das maravilhas parisienses em francês, e Kate Moss também linda, amando algum garçon.

Mas isso, ao menos na minha cabeça, não era suficiente para que o clipe passasse no programa com tanta frequencia. A pessoa responsável pela programação devia gostar muito dele. Ainda bem.

Por que eu estou falando sobre isso? Porque estou voltando a Paris daqui a alguns dias, 15, para ser exata; e até a forma como eu respiro está diferente.

Tenho ouvido Paris Paris quase compulsivamente e me emocionado sempre, principalmente quando, no final, Catherine Deneuve fala que, sem uma salpicada da poeira do metrô, “Paris perdrait son âme”.

Paris não é minha cidade preferida. Faz parte da minha lista de favoritas, claro, mas não está no topo. No entanto, a minha Paris é muito especial. Lá, como já escrevi por aqui antes, vivi um dos momentos mais felizes da minha vida, exatamente no dia do meu último aniversário. Algo sem o que minha Paris certamente perderia sua alma.

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Vaison-la-Romaine

Eu e Ralfo saímos de Valence no dia 22 de dezembro bem cedo, porque tínhamos que chegar a Vaison-la-Romaine a tempo de almoçar com Rita, Robert e Carol, amigos dele.

Vaison é uma cidade bem pequena e linda, que, assim como Arles, pertenceu ao império romano (o Romaine no nome não é de graça). Confesso que não esperava muita coisa, porque nunca tinha ouvido falar dela. Mas a chave para se empolgar com tudo é, como bem disse Carolina, ter expectativa negativa.

IMG_1523 IMG_1524 IMG_1526Claro que a parte moderna da cidade existe, mas o foco foi a parte antiga, a que fez meu coração dar milhões de saltos a cada nova pedra vista.

IMG_1580IMG_1582IMG_1593IMG_1588Dá para perceber que a cidade vai sendo descoberta à medida em que se vai subindo. E a gente vai subindo, subindo, até chegar às ruínas da cidade medieval.

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IMG_1604IMG_1607Não sobrou muita coisa, mas a vista lá de cima é fantástica.

IMG_1606IMG_1612IMG_1617E depois, começa-se a descer.

IMG_1622IMG_1623IMG_1629IMG_1651Depois da caminhada, terminamos o passeio caminhando pelo centro de Vaison. O dia estava bem lindo, sem muitas nuvens e o frio não estava matando ninguém.

IMG_1665 IMG_1679Não consigo encontrar um adjetivo que me ajude a exprimir com propriedade como me senti ao terminar o dia olhando para o céu cor-de-rosa. Amém.

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Bistro 7 par Anne-Sophie Pic – Valence

Depois que saímos de Les Baux de Provence, eu e Ralfo seguimos para Valence, apenas para que eu pudesse comer na Maison Pic, o restaurante de Anne-Sophie Pic, a única chef mulher com três estrelas Michelin no currículo.

Infelizmente, não conseguimos fazer reserva no restaurante e acabamos indo ao Le 7, bistro chic. O lugar tem um tamanho razoável e tem a atmosfera que se espera de um bistrô ligado a um restaurante estrelado: muita formalidade somada à uma simpatia forçada, exatamente como o Les 110 de Taillevent (sobre o qual nem falei aqui, tamanha minha decepção em relação à comida).

IMG_1480Achei legal a cozinha ser aberta, para os comensais poderem ver o movimento. Sempre que vejo isso, fico numa espécie de encantamento.

IMG_1489Uma coisa que me chamou atenção foi a forma como os guardanapos são postos. Nunca tinha visto nada parecido antes e gostei da ideia.

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Falando sobre o que interessa, tudo começou com um pãozinho recheado com queijo e linguiça que estava mais bonito do que gostoso.

IMG_1487IMG_1488Minha entrada foi um ovo mole com milho e um pão muito do sem futuro.

IMG_1501O milho era adocicado e isso, para mim, matou o prato.

Para compensar, Ralfo pediu “La courge musquée de Provence en velouté, crème légère au café Arabica”.

IMG_1503Essa sopa de abóbora com creme e grãos de café estava maravilhosa. Nunca imaginei que café pudesse conversar com abóbora, muito menos que dessa combinação poderia sair um diálogo digno de nota. Melhor prato da noite.

Em seguida, vieram o “Le cabillaud saisi riz camarguais complet façon pilaf, émulsion aus crustacés” e a “La poitrine de cochon roulée puis confite, embourrée de choux e pommes de terre aux nois”. Peixe e porco, simplicando muito a tradução.

IMG_1511IMG_1510O porco estava bom, mas nada de extraordinário. Cocção boa, mas a batata estava muito sem graça. Se o acompanhamento fosse mais elaborado, talvez o prato conseguisse subir alguns pontos na avaliação. O peixe estava sem sal, o que é um pecado num lugar como esse.

De sobremesa, pedimos “L’île flottante et la cazette crème marron au vieux agricole” e “L’éclair chocolat revisité ganache praliné à la noisette”.

IMG_1514IMG_1520IMG_1518IMG_1519Como eu, contrariando a maioria, não gosto da mistura chocolate com avelã, não me encantei com a éclair, mas reconheço que ela estava bem feita. A ilha flutuante parecia isopor e tinha gosto de nada, exatamente como um isopor. Uma pena.

Alguém pode perguntar como eu me lembro de tudo isso, tendo jantado no Le 7 há dois meses e meio. Pois a resposta é: eu anoto tudo. A prova?

IMG_1499Minha cabeça mal se lembra do meu endereço, avalie de detalhes de uma das tantas refeições que fiz em dezembro. Não tinha o p do perigo de eu me lembrar.

De qualquer forma, um jantar em que a grande estrela é uma sopa de abóbora não é algo que se espere de um bistrô comandado por uma chef estrelada, mesmo que o menu composto de entrada, prato e sobremesa custe 31 euros. Paciência. Ao menos eu posso tecer comentários a respeito e isso vale muito.

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E eu digo calma, alma minha, calminha, ainda não é hora de partir

Alguma coisa acontece comigo quando, estando na França, minha vinda de lá se aproxima. Vou ficando lenta, lenta, lenta, até simplesmente parar. Dessa última vez, a inércia depois da parada foi mais longa do que eu gostaria e eu acabei não falando nada a respeito da minha viagem com meu Toddynho e dos meus últimos dias em Paris. Vou remediar isso agora, apenas para me lembrar do óbvio: meus dias são muito felizes quando estou lá.

Sem maiores delongas, eu e Ralfo saímos de Marseille no dia 21 de dezembro, e fomos direto a Les-Baux-de-Provence, porque eu queria desesperadamente conhecer o Carrières de Lumières, um espaço de experimentação multimídia, com 14 metros de altura, no meio do qual imagens de obras de arte, em alta resolução, são colocadas em movimento, em ritmo musical, para exibir um cenário de plena poesia. Isso eu tirei do site deles, porque resume bem o que acontece lá.

O Carrières é uma mina de calcário branco, de onde foram extraídas as pedras utilizadas na construção do Château e da cidade de Baux de Provence (carrière significa lugar de onde se tira rocha útil à construção). Fechou em 1935 em função da concorrência econômica imposta pela chegada de materiais de construção mais modernos. Reabriu há dois anos para acolher um lugar de experimentação da Culturespaces, que desenvolveu um conceito de difusão cultural denominado AMIEX® (Art & Music Immersive Experience).

É no espaço onde estavam as pedras que o espetáculo se desenrola. Na época, as obras de Auguste Renoir, Claude Monet e Chagall, Joseph Vernet, Pierre Bonnard, Raoul Dufy, Maurice de Vlaminck, Othon Friesz, Henri Manguin, Albert Marquet, Louis Valtat, Charles Camoin, André Derain, Henri Matisse, Paul Signac e Henri-Edmond Cross fizeram nossa felicidade. Na verdade, mais que isso. Chorei um bocado quando os jardins de Monet começaram a aparecer na minha frente. É grandioso. Fiz questão de ir até Les Baux apenas para conhecer esse lugar, porque me encantei com o que uma colega (obrigada, Adriana!) falou a respeito dele. No entanto, o que ela disse não alcança a beleza que o Carrières tem; da mesma forma, nada do que eu escreva é capaz de traduzir o que ele representa.

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Ainda aqui

Não, amore, não desisti. Existia um acordo tácito de eu não perder meu tempo com você, mas você perguntou, certo? Vou responder.

Ainda estou aqui, no mesmo lugar. Fisicamente por pouco tempo, isso é certo.

Quando voltei para Marseille depois de Montpellier, estava com a cabeça num projeto que chegou sem avisar enquanto estava lá e se apoderou de mim. Mesmo vivendo tantas situações maravilhosas, mesmo visitando e descobrindo tantos lugares lindos, não consegui me concentrar em mais nada.

Coisas boas são assim, não é mesmo? Chegam e deixam a gente meio vidrada. Comigo, pelo menos, tem sido desse jeito.

Tenho muito o que contar sobre o que fiz nas minhas últimas semanas na França e vou fazer isso. Começo já. A ideia era voltar ao blog, depois da minha mais longa ausência, no final de semana. Até me organizei para isso.

Mas, sendo cobrada, me antecipei.

A verdade é que eu estou meio inerte, num passo ritmado, rumo a um objetivo bem claro, por onde vou através de um caminho conscientemente traçado.

É isso.

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Montpellier 2

No segundo dia em Montpellier, saímos tarde de casa e concordamos que um brunch seria uma ótima chance de conhecer algum lugar legal. Escolhemos o do Ma Première Cantine.

IMG_0650IMG_0653IMG_0654IMG_0656IMG_0658IMG_0660IMG_0662Pagando 20 euros, você come croissant ou pain au chocolat, pão, suco de laranja ou de maçã, bebida quente (chocolate quente, chá ou café), iogurte natural, salada de fruta, dois tipos de geleia, mel, quatro tipos de cremes de chocolate, salmão defumado, presunto, salame. Vale mais pela experiência e pelo lugar do que pela comida em si.

IMG_0669IMG_0673Depois da comilança (ok, a comida não era uma brastemp, mas era muita e gula é a cola que une esse casal), fomos andar e fazer caras e bocas por Montpellier.

IMG_0694IMG_0704IMG_0686IMG_0721IMG_0726IMG_0729E aí a pessoa dá de cara com uma manifestação contra a adoção de criança por casal gay.Poucas coisas são tão francesas quanto essas manifestações sem sentido.

IMG_0733IMG_0735Para compensar a marcha da moralidade, um grupo chegou à Place de la Comédie com a bandeira do movimento gay e um doidinho dos pão queimou a bandeira da França.

IMG_0745IMG_0744Depois dessa arrumação, voltamos a flanar pela cidade, porque il faut promener.

IMG_0753IMG_0755IMG_0758IMG_0774IMG_0757IMG_0767IMG_0779IMG_0780IMG_0784IMG_0804IMG_0809IMG_0810Para terminar o dia, comer era preciso e a escolha foi o Times Cafe, um bar au vin que serve tapas e, mais importante que tudo, fica exatamente do lado do apartamento onde estávamos.IMG_0837IMG_0815IMG_0813IMG_0814IMG_0825IMG_0829IMG_0833Esse foi o foie gras mais saboroso que provei na França. Consistência perfeita, mais próxima da cremosa (não gosto quando o foie gras parece mais demais com uma terrine, com aparência meio esfarelenta) e sabor mais parecido com o de ganso (nem sei se o que comi era de pato, na verdade; nem me lembrei de perguntar…). A geleia de figo e a flor de sal casaram muito bem. Foi uma ótima maneira de me despedir de Montpellier.

 

 

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