Tenho um sonho

E ele é, ao menos para mim, grandioso: viver de escrever. O danado é que há algum tempo comecei a me achar bem desinteressante e, com isso, me veio um pensamento: o que alguém desinteressante pode ter para escrever?

Tem ficado muito claro que tenho muito a aprender e isso para mim não é problema, porque eu quero aprender. Na verdade, resolvi que quero me tornar interessante. Quero ser uma daquelas pessoas de quem os outros nem gostam, mas são obrigados a engolir, porque, de alguma forma, elas têm o que dizer, sabe assim?

Tipo Diogo Mainardi. Não sou fã dele, certo? Mas acabei de ler “A queda”, sobre a paralisia cerebral de seu filho mais velho, que trouxe emprestado de Carolina. Mainardi constrói a narrativa fazendo links entre cada acontecimento relacionado a Tito (o filho) e momentos e personagens históricos, além de falar sobre várias coisas misturadas. É um desabafo de um pai que, além de devotado, é muito inteligente.

Foi o primeiro livro de Mainardi que li, mas já tinha passado a vista na coluna semanal que ele tinha (ainda tem?) na Veja. Veja bem: como escrevi há poucas linhas, não sou fã dele. Mas preciso reconhecer que ele tem muita coisa interessante sobre o que escrever.

Pensando nisso, me veio uma sensação gigante de que sou muito ignorante, sabe? Jamais teria a ideia de escrever algo da forma como ele fez, fazendo conexões, mostrando ao mundo como eu sou sabida.

Só que existe um detalhe: antes de mostrar que sou sabida, preciso me transformar em sabida. É aí que o bicho pega. Não acho que vou ser sabida nunca nessa minha vida. Tem como não. É coisa demais nesse mundo para a pessoa aprender. E quanto mais vou atrás disso (aprender), mais burra eu me sinto.

Essa sensação, apesar de não ser a mais legal, me impulsiona a ir além, mesmo que não chegue a lugar algum. E então fico colocando na cabeça que mais importante é o caminho, como nas viagens que faço.

De qualquer forma, preciso dizer que algo me serviu de consolo, depois de “A queda”: eu já sabia o que é sherpa! Desconfio que a utilidade vai se limitar a isso…

Na verdade, eu acho que meu sonho mesmo era ser Diogo Mainardi.

 

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Uma resposta para Tenho um sonho

  1. theophile gautier disse:

    Olhe, eu acho que você escreve bem.(ponto) Acho que você percebeu que ao escrever você fez interligações entre coisas (você x Mainardi). Acho que as interligações entre coisas é coisa indispensável ao texto. As interligações fixam ideias mais conhecidas que servem como parâmetros, o que acaba por dar linhas mais precisas a mensagem. Entendo você. Acredito que seja um desafio expor pensamentos em letras (sou péssimo nisso, até pq preciso aprender a escrever materialmente falando). Por conta do seu texto vou ler o livro de Mainardi, de quem também não sou fã. Obrigado pela dica.

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