Londres

Cheguei a Londres na semana passada para participar do meu último curso programado da viagem. A minha entrada na Inglaterra foi horrenda. Tudo bem, David Cameron não concordou com a criatura do pântano chamada Theresa May, mas, pelo que senti na minha chegada, o serviço de imigração inglês está agindo de acordo com o pensamento dessa desocupada (para quem não sabe ou não se lembra, essa filha de Deus é ministra do Interior na Inglaterra e teve a brilhante ideia de atazanar a vida dos brasileiros com restrições à concessão de vistos).

Já fui a Londres algumas vezes na vida e desde sempre tudo foi muito fácil. Além disso, a cidade sempre me atraiu e está no meu top five. Mas desde o minuto em que comecei a arrumar minhas coisas e me organizar para pegar o trem da vinda, as coisas começaram a desandar.

Annie, minha host em Paris, tinha ficado de imprimir meu bilhete e descobriu de última hora que a impressora estava sem tinta. Não teve jeito que desse jeito e o bicho não teve como ser impresso. Ela disse que eu não precisava me preocupar, que no outro dia cedo compraria cartucho novo e imprimiria de manhã.

Annie saiu às 10h atrás de cartucho e deu de cara com lojas fechadas. A única aberta não tinha tinta para vender. Acabou voltando para casa atarantada do juízo sem saber o que fazer. Ligou para o namorado, mandou o arquivo para o email dele, mas o bilhete não abria. Ela teve que encaminhar a mensagem original da empresa para o email e finalmente eu tinha bilhete impresso.

Consegui chegar à Gare du Nord, de onde saem os trens para Londres, um hora antes da partida, com tempo suficiente para passar pela imigração. A saída da França foi bem tranquila. Passar pelo povo da Grã-Bretanha é que foi nó.

A mulher que me atendeu, uma indiana, perguntou o que eu ia fazer em Londres e eu disse que ia estudar. Ela perguntou o que e eu disse que iria fazer um curso na área de jornalismo. Ela perguntou quanto tempo eu ia ficar e eu disse: uma semana. Ela pediu pra ver o comprovante de matrícula do curso e esse documento não foi me mandado pela escola; a única coisa que eu tinha eram alguns emails do diretor. Mostrei para a inglesa de araque, que me veio com a pergunta: “se o curso é só no final de semana, por que você quer ficar uma semana?”. Expliquei que estava me especializando em jornalismo gastronômico e visitaria restaurantes durante a semana. Ela perguntou por que eu não disse isso antes. Respondi que não achei importante, afinal, nos dias que antecedem o curso, eu basicamente estaria comendo. Ela riu e perguntou se eu voltaria a Paris, ao que respondi afirmativamente. Perguntou se eu já tinha passagem de volta e eu disse que não. Ela perguntou por que e eu disse que ia comprar lá, porque voltaria de ônibus. Perguntou se eu já tinha passagem de volta para o Brasil e quando era a minha partida. Perguntou o que vim fazer na Europa e há quanto tempo eu estava aqui.

Sabe quando a pessoa está tranquila, mas alguém começa a fazer perguntas insistentes e absolutamente sem noção até você finalmente ficar nervosa? Foi exatamente isso que me aconteceu. Comecei a ficar com medo de responder alguma coisa de forma equivocada, de gaguejar, de usar algum tom inapropriado. Foi a pior experiência que tive em relação a viagens. Nunca suei tanto para entrar num país, literalmente.

Ainda bem que deu tudo certo e eu consegui ficar quase duas semanas numa das minha cidades favoritas, que continua cinza e linda, como sempre.

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2 respostas para Londres

  1. Theophile Gautier disse:

    Só para vc saber, tbm ainda estamos aqui. Um pouco pelo mundo com vc. Ps. Tem dias que ver seus big teeth em um sorriso, é muito útil (to falando de posts passados). Hj o dia está f…

  2. Ana Carolina Luna disse:

    Amanda, isso não acontece só com vc. Eu quando fui aos EUAs fui endagada duas vezes sobre o porquê de eu estar indo para uma viagem de férias sozinha. Eu falei que tinha que viajar naquela época e que não tinha encontrado cia. Mas a mulher quadradona insistiu novamente na pergunta, acredita? Tendo ela já me perguntado pq eu morava na África e o que eu fui fazer lá. Será que não é fácil concluir que uma pessoa que se submete a morar na África pode facilmente ir sozinha a qualquer parte do mundo?
    To começando a aprender a dar mais créditos aos brasileiros, povo destemido e com a cabeça mais aberta….
    Pior, chego na casa da minha prima e o marido dela americano me faz a mesma pergunta como se fosse uma anormalidade viajar sozinha. Isso é tão anormal assim ou somos nós que somos lélés da cuca mesmo? rsrsrs

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