Eu?

Eu ainda não sei o que quero ser. Ficaria bonitinho complementar com um “quando crescer”, mas já cresci e continuo meio perdida.

Passei quase um mês em São Paulo para fazer um intensivo de roteiro de cinema na Academia Internacional de Cinema. Gostei muito do curso, aprendi um monte de teoria e achei fantásticas algumas descobertas. Mas a minha conclusão é, para variar, bem simplista: não nasci para escrever roteiro.

Considerando que assisti a duas aulas da oficina de dramaturgia de Roberto Alvim, cujo conteúdo achei vanguardista demais para mim (apesar de ter amado ouvir o tanto de coisa que ele tem a dizer), posso afirmar que roteiro, como gênero, não é a minha praia. Cinema e teatro são apenas espécies de algo que, para eu escrever, não funciona.

Digo isso porque pode parecer para alguns que perdi meu tempo. Acho que meu tempo foi muito bem aproveitado, principalmente porque a partir das aulas e experiências que tive, descobri o que não quero fazer, o que no meu caso específico já é algo grandioso e significativo.

Gosto de escrever coisas curtas e tenho uma dificuldade tremenda para encher linguiça. Em tudo eu sou meio assim e percebo isso como algo potencialmente bom, mas que acaba sendo ruim, consegue entender? Ser objetiva em algumas situações é vantagem, mas na hora de escrever, se a objetividade é grande demais o negócio parece que desanda, perde o prumo, não sei explicar.

Por outro lado, às vezes o menos dito é melhor absorvido, exatamente por ir direto ao ponto, sem enrolação. É exatamente esse contraponto o responsável pela minha angústia.

Quando escrevo, nunca acho que deixei de dizer exatamente o desejado, mas acontece de, talvez em função da minha economia de palavras, algumas pessoas não alcançarem o sentido exato do meu pensamento. Escolher assuntos que rendam poucos comentários pode ser uma saída. Ou não, caetaneando. Sei lá.

Sendo eu um poço de ilusão bem particular, preciso de coisas mais concretas e sinto que acho algumas quando escrevo. No que isso vai dar, só Deus sabe. Espero que em algo.

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2 respostas para Eu?

  1. Leandro disse:

    Não sei se acontece com você, mas quando escrevo, me entendo melhor. Muitas vezes, eu tenho uma proto-idéia, pouca coisa acima de uma sensação orientada. E ela só vira um pensamento quando eu a escrevo, quando a externo na forma organizada de explicar o que sinto a uma pessoa que não seja eu mesmo.

    E então eu leio e penso coisas como “eu não sabia que eu sabia isso” ou “não sabia que eu pensava assim. Faz até mais sentido agora”. Desta feita, acabo escrevendo mais para meu uso do que para os outros.

  2. theophile gautier disse:

    Acho que você escreve bem, muito bem. Mas acho que é preciso, de fato, ter alguma ideia a seu respeito para saber como você está falando das coisas. Não acho que você tenha paciência para explicar o que está antes de onde seu texto começa. Mas isso também se ganha com a prática. A maior qualidade você já tem (a qualidade do texto) e infelizmente o maior obstáculo também (a falta de tesão).

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