A vida sexual de Catherine M.

Gosto muito de ler biografias e fico muito feliz quando me deparo com vidas interessantes sobre as quais sei praticamente nada. Parece que fico mais atenta à leitura, não sei bem.

Enfim, sobre Catherine Millet sabia apenas que ela é crítica de arte e editora da Art Press (revista sobre arte, que tem site homônimo), nada mais.

Antes de falar sobre o livro em si, preciso abrir um parêntese. Quando a onda dos 50 tons começou, várias amigas disseram categoricamente que eu precisava ler aquilo, como se minha felicidade (ao menos a sexual) dependesse disso.

Com muita relutância, comecei a ler o primeiro da trilogia e o consegui até a página 178, o que é pouco menos da metade. Não me identifiquei com a menina da história e achei o Mr. Grey um grande canastrão que se acha, ou seja, o tipo do homem que não me provoca hoje qualquer encantamento.

Claro que nos meus vinte anos a submissão feminina às fantasias masculinas fez meu coração bater. Mas atualmente não consigo ver graça num cara que quer determinar o que eu como ou uso, e como meu corpo deve ou não ser. Na verdade, acho que esse comportamento masculino pode ser uma grande marretada na autoestima das mais desavisadas, que não têm como alcançar determinado padrão.

Enfim, não gostei do que li, não continuei a leitura (apesar das súplicas de algumas meninas) e, em regra, não a recomendo. Para não dizer que não gostei de absolutamente nada, gostei da descrição das situações sexuais, que achei bem excitantes. Mas, preciso deixar claro, com minha vida ultra morna, isso não serve de parâmetro.

De qualquer maneira, o discurso acerca da liberação sexual feminina a partir dos 50 tons é válido, mas, na minha parca visão, acho que a autora teve muita sorte e contou com uma boa distribuição e propaganda de seus livros.

Catherine Millet escreveu sobre o que viveu. Isso, sim, é encantador. Falar sobre sexo e sexualidade da forma como ela o fez não é para qualquer um. Viver tudo aquilo, então…

Na minha opinião, que não tem influência alguma sobre nada, a liberação sexual feminina tem a ver com a vontade da mulher e não com a alheia. Catherine narra de forma crua coisas que fez, com quem fez e quando fez, sem qualquer pudor. Importante também o fato de ela ter feito tudo porque quis, deu na telha, pura e simplesmente.

Confesso que em certas partes do livro me assustei com tanta honestidade. Por outro lado, me pareceu lhe ser muito fácil se expor daquela forma, como se isso fosse uma espécie de serviço à mulher que quer realizar as suas fantasias, ainda que estas não tenham romance algum.

Aliás, a diferença entre romance e sexo é muito latente na vida de Catherine, casada com Jacques Henric há mais de vinte anos. Não tenho o desprendimento de nenhum dos dois e, portanto, não conseguiria viver como eles vivem, o que não me impediu de imaginar bem direitinho muito do que ela descreveu.

Arrisco dizer que o mundo não está preparado para admitir e reconhecer a existência de tamanha liberação sexual. Talvez por isso a propaganda e a distribuição desse livro não tenham tido o mesmo alcance dos 50 tons. Pode ser viagem minha, óbvio, mas é a minha impressão.

Então, se você está procurando literatura para apimentar a relação, Catherine M. é a solução. Se você é mais do romance, pode se chocar com os relatos ali presentes, então 50 tons é a pedida. Como não sou uma pessoa romântica, A vida sexual de Catherine M. entrou no meu top ten.

 

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2 respostas para A vida sexual de Catherine M.

  1. Leandro disse:

    50 tons é a versão hipster (com uma turbinada de jabá) daquelas brochuras de banca de jornal das séries “sabrina” ou “bianca” que víamos nas bancas de jornais qd éramos crianças.

    Não conheço esse livro. Comecei as crônicas de gelo e fogo no mês passado e os 5 livros decerto que irão me ocupar pelo menos até o segundo semestre.

  2. theophile gautier disse:

    Essa coisa de liberação feminina não é tão simples. Caso se dê uma olhada na história, em alguns momentos, liberdade feminina não tinha nada a ver com a mulher ser independente e autossuficiente. Acho que o livro 50 tons vem para temperar esse conceito de liberação feminina moderno e as convida a sonhar com a zona de conforto material e sexual.
    Forma de escrever extremamente simples, clichês, previsibilidade, ou seja, um conto de fadas com pretensões eminentemente de mercado.
    Uma parte considerável das mulheres (a quantidade me surpreendeu) gostou de sair de sua vida tacanha (por um lado) ou estressante (do outro) para viver a mulher entregue, à deriva, liberta dos limites tão curtos a que são sempre submetidas.

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