Fatia de Guerra

Esse é o nome da peça a que assisti na terça-feira, no Club Noir. O roteiro é de Andrew Knoll e a direção de Roberto Alvim.

A história é sobre um cachorro, interpretado por Juliana Galdino, que é sacrificado por um pai, enquanto sua filha fica lá, pentelhando e enchendo a paciência. O meu resumo ultra simplista é um insulto gigantesco ao que vi, mas não consigo fazer melhor.

Não sou crítica de teatro e o Club Noir é uma companhia do circuito off de São Paulo, então o esquema do espetáculo foi completamente novo para mim. Sabe algo que encanta, mas você é tão, mas tão limitado, que lhe é impossível explicar? Pronto! Foi exatamente assim que me senti.

Juliana Galdino é um monstro! A cadência da voz do cão, com seus gemidos, latidos, zunidos e todos os sons do bicho, é um negócio que vai, e muito, além do meu poder de entendimento.

Antes dessa peça, segundo o que ouvi de Roberto Alvim no sábado, eu só conhecia cultura. Essa semana me deparei com uma obra de arte. Qual a diferença? Segundo ele, quando a reação da plateia é unânime, estamos diante de cultura; quando cada pessoa tem uma reação distinta, é obra de arte. Fatia de Guerra, para mim, que fiquei sem reação depois que acabou, foi uma obra de arte.

Não posso deixar de mencionar que depois da apresentação da peça, aconteceu um debate sobre ela com o diretor, o autor e Rui (pode me matar pela falha gigante, mas não anotei o sobrenome dele, que é editor de uma revista sobre cinema – depois cato a informação e coloco aqui), que durante meia hora traçou um paralelo entre o roteiro e algumas linhas filosóficas.

Não me lembro de onde ele tirou isso (se alguém souber, faça a caridade de me dizer, please), mas o mais fantástico que ouvi dele foi a explicação de que o sujeito se sujeita, enquanto o objeto objeta; e que por isso o objeto na verdade é o sujeito, porque é ele (o objeto) que impõe uma ação, a partir da objeção a determinada situação. Dá para respirar direito depois de algo assim? Eu não consegui. Me lembro disso e o fôlego me falta.

Também amei quando Rui falou: “adoro quando uma coisa é tão simples que chega a ser estúpida”. Roberto, antes de o debate começar, avisou que ele era gênio.

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