Eu e o tal livro digital

Todo mundo que me conhece sabe o quanto gosto de ler. Além disso, amo comprar livros, ainda que, como já disse antes, fique acumulando vários que ainda esperam a chance de serem lidos.

O danado é que eu acho que os livros estão ficando caros, sabe? Não sei se sou eu que estou ficando pirangueira e achando tudo caro demais (estou mesmo numa fase assim), mas o fato é que tenho achado livro caro. Estou mais uma vez me repetindo à exaustão, mas esse é um hábito do qual não estou conseguindo me livrar, no afã de deixar tudo claro. Peço paciência.

Então, por achar os preços dos livros de papel mais altos do que gostaria que estivessem, comecei a paquerar os digitais, que são bem mais em conta e chegam a custar menos da metade da versão impressa.

Num dia, fuçando o site da Saraiva, escolhi e coloquei quatro no carrinho de compra e fiquei olhando, olhando. Pensei melhor e resolvi fazer o teste com apenas um, porque estava muito na dúvida de qual seria minha reação lendo um livro no iPad.

Escolhi “O mundo pós-aniversário”, de Lionel Shriver (o mesmo de “Precisamos falar sobre o Kevin”, que está na minha lista de desejos), depois de uma matemática muito simples: era, dentre os livros que estava planejando comprar, o que tinha a maior diferença entre a versão impressa e a digital.

Comprei, instalei o aplicativo da livraria no iPad, o livro apareceu direitinho e lá fui eu começar minha leitura. Nem sei se dá para dizer que comecei a ler, porque, na verdade, só passei o dedo na tela do tablet e foi muito fácil concluir que esse negócio de livro digital não é pra mim.

Gosto de pegar no livro, de folhear as páginas, de sentir a textura e o cheiro do papel, sabe como? Aliás, cheiro de livro novo, aquela mistura do papel com a tinta, é um dos melhores aromas que existe no mundo. Li uma vez, não lembro onde, que cheiro de livro devia ser vendido como perfume de ambiente e concordo absolutamente com essa informação.

Considerando meu amor por papel, eu já devia ter imaginado que não ia gostar de ler no iPad, né? Mas sou teimosa, não tem jeito, e às vezes tento fazer coisas diferentes do que estou acostumada, mesmo me que seja para me assegurar do óbvio.

Sei que tem muita gente que afirma com muita certeza que livro em papel vai deixar de existir. Como isso só deve acontecer num futuro longe o suficiente para não me atingir, não vou sofrer com isso. Mas acho uma pena danada, se for mesmo desse jeito, porque as gerações futuras vão deixar de experimentar o prazer indescritível de ter um livro de verdade nas mãos.

Espero, do fundo do meu coração, que essa previsão seja daquelas que não se concretiza de jeito nenhum, porque, minha gente, livro digital não é livro de verdade, é só a foto dele. Acho que nem deveria ser chamado de livro; tinha era que ter outro nome.

Se vou comprar “O mundo pós-aniversário”, o livro de verdade? Agora não, porque está na minha cabeça que tenho a obrigação de ler no iPad mesmo, já que inventei de comprar o bicho. Só não sei quando vai ser isso, ok? Quem mandou eu ser como sou?

 

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Uma resposta para Eu e o tal livro digital

  1. theophile gautier disse:

    Não acho que os livros em papel irão “acabar”, tipo deixar de existir. Só ficarão proibitivamente caros, como aliás você já está percebendo. Para quem gosta e pode “sempre” existirão. As aspas se devem ao fato que acabarão, é claro, no infinito, como o toque das retas paralelas.

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