Tentei, juro que tentei

Mas não estou num momento Fernando Pessoa. Sim, tenho momentos para escritores. Para ler Carlos Drummond de Andrade preciso estar querendo morrer por alguém, sabe? Lembro muito um dia em que Carolina perguntou o que eu estava lendo e eu respondi que era Drummond. A frase seguida dela foi “vixe, você está mesmo apaixonada”. Estava realmente. E, nesse dia específico, não só li: chorei um bocado.

Para Florbela Espanca, eu tenho ao menos que ter levado alguma rasteira. Na verdade, tem que ser O pé na bunda! Não pode ser um desapontamento qualquer. Sim, levei pé na bunda esse ano; não, não li Florbela em razão disso. Conclusão lógica: o fora que levei não me foi tão pesado assim.

Para ler Fernando Pessoa, o ideal seria estar apaixonada e com mais tempo disponível para lhe dedicar a atenção merecida. Até valeria minha paixão por uma ideia, ainda que acredite que um pouquinho de emoção ajudasse, né? Para o que ele escreve fazer sentido para mim, para eu me ver nas palavras.

Sendo bem honesta, se estivesse mais tranquila, seria bom eu ler, até para aprender com ele, sabe? Mas minha fase atual é de muito trabalho e pouco tempo, inclusive para ler. “On the Road” está na minha cabeceira há mais de um mês e tem pelo menos metade disso que não dou o menor cabimento a ele. Na verdade, nem revista da Tupperware tenho tido paciência para folhear.

Além disso, o tempo que tem me sobrado tem sido utilizado para descanso ou ao menos deveria estar sendo. É que sábado saí, mas me arrependi horrores, porque segunda já estava cansada igual uma doidinha dos pão.

Voltando a Pessoa, apesar de uma nova paixão não estar nos planos, esse período de tempo escasso passa já. Mesmo assim, vai ser difícil eu ler essa antologia que ganhei, ao menos com a mesma dedicação que teria se existisse em mim ao menos uma névoa de encantamento.

Sinto muito, fênix querida, mas eu tentei, como prometi, mas não deu. Seu presente já está na minha estante, ao lado de outros que ganhei. Se vai sair de lá e dormir comigo alguns dias não sei. Pode ser que sim. Eu bem que deveria dar mais atenção a quem diz que escrever é esquecer.

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