Pernas, pra que te quero?

Eu e Cecilia estamos num impasse: o que fazer com minhas pernas? Explico-me: desde os primórdios, minhas pernas foram o grande incômodo da minha existência, por serem grossas demais. Na época de Rainha da Sucata, tia Nilza só me chamava de bailarina das coxas grossas, me comparando a Claudia Raia (claro que isso acontecia também por causa do meu estabanamento). Minha tia estava me fazendo um elogio, eu sei, mas pensando nisso hoje vejo que o personagem era por demais caricato para ser elogioso.

Não, meu nariz de batata, que ainda tem uma lombada no meio do caminho não me incomoda (ok, confesso que meu perfil não me deixa a mais feliz das mulheres); mas quando penso nas pernas que, por estarem se definindo, estão engrossando, sinto um certo pavor, não vou mentir.

Por causa do objeto da discórdia, algumas calças que voltaram a gostar de mim depois que emagreci já estão mudando de opinião por causa das minhas coxas. Até rasguei uma, na tentativa de forçar o que eu deveria ter deixado quieto. Preciso dizer que quase chorei de desgosto, não tanto pela calça que não subiu, mas pelo meu desespero em querer algo que não é para ser meu.

Podia estar mais satisfeita com o que consegui em troca de muito suor, certo? Sim, minhas pernas hoje contam com uma divisão legal do lado, não balançam horrores quando corro e quando ando não me deixam insegura, mas elas estão ficando maiores do que eu gostaria e isso é algo que realmente faz meu juízo ferver.

Falando sobre isso, recebi da minha professora amada o questionamento: ter a perna mais dura, definida e grossa ou fina e mole. Se tiver que escolher, vou na primeira opção, mas faço isso com o coração doendo, porque não vai ter jeito: meu sonho da perna fina não há de se concretizar.

Não apenas por isso, eu sei, não sou idiota. Na época da produção, devo ter ficado de conversa fiada com alguém na fila da perna e errei a mão. Sempre soube que não teria a que para mim é ideal, mas também não estava nos planos aumentar o que para mim sempre já foi grande.

Tudo é tal da insatisfação, né? Com certeza um monte de gente vai chegar com o discurso pronto, dizendo que se eu tivesse perna fina ia querer engrossar e pode ser que esse povo tivesse razão. Mas e daí? Sempre disse que tudo que começa com “se” é algo que não existe e nunca ninguém me convenceu do contrário. Minha realidade é essa e essa também é a minha reclamação.

Sempre quis muito uma perna fina, mas essa vontade já ultrapassou a barreira do ridículo, então eu decidi, por necessidade mesmo, melhorar o que eu tinha. Deu certo, mas trouxe junto um porém para o qual não me preparei. Agora, é encontrar meu fôlego, que se perdeu por aí, e correr. Ou, o que é mais provável, deixar tudo nas mãos de Cecília e rezar para o negócio não enlarguecer, que é um negócio muito Sarajane (eu sei que o verbo é alargar, ok?).

Anúncios
Esse post foi publicado em Saúde. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s