Vanzolini

Eu gosto de pessoas. Não morro de amores, mas gosto. Até amo algumas, bem poucas, devo dizer. E acho mesmo que posso dizer que gosto de gente. Então, assistindo ao documentário sobre Paulo Vanzolini, achei o máximo quando ele disse que “o povo, de cada um, pessoalmente eu não gosto, mas do povo em geral eu gosto muito”. Achei essa frase a coisa mais linda, porque para mim é bem assim.
Escutei essa maravilha quando assisti a “Um homem de moral”, o documentário de Ricardo Dias sobre o autor de “Ronda”, aquela música ultra brega que eu e mais uma ruma adoramos. Como posso apostar que muita gente já se viu na situação de procurar alguém e não encontrar, afirmo que quem fez isso e conhece a música cantarolou aqueles versos voltando perdido para casa ao menos uma vez na vida. Muito lindo isso. Ok, a voz da música é feminina, mas já vi muito marmanjo metido a besta cantando…
Só para deixar claro, não acho o sofrimento em si bonito, mas acho belíssimo o retrato dele, entende? É isso que “Ronda” faz e a imagem do sofrimento que ela descreve é lindíssima, pelo menos para mim. Acho que é por isso que não uso rímel a prova d’água; quero mesmo é que minhas lágrimas negras caiam quando eu me sentir a mais miserável das criaturas. Ainda bem que isso parou de acontecer como na minha juventude, quando ganhei o apelido de foco da dengue (alguém não entendeu a piada?).
Voltando para Vanzolini, porque acabei me perdendo com comentários egocêntricos, como deu para perceber, o cara é uma figura! Formou-se em medicina, mas quis ser zoólogo, o que na minha cabeça é de uma ironia lógica filha da mãe. Falando sério, além de compositor, ele é um senhor cientista. Mas essa não é a qualidade que me interessa agora, certo?
Além de “Ronda”, muito pedida nos bares como “Honda”, o que mostra bem o nível do Homer brasileiro (esse meu comentário é bem maldoso, tenho consciência, e, se você não entendeu, coloque Bonner e Homer no Google, que fica tudo certo, ok?), ele também compôs “Volta por cima”, que é igualmente conhecida e diz que homem de moral (expressão que deu origem ao título do filme) reconhece a queda e não desanima. Aliás, segundo Vanzolini, mais importante que não desanimar é reconhecer a queda. Não sei, não…
Como não vou mais escrever sobre ele, mas gostaria de deixar alguém com vontade de assistir ao documentário, que conta com interpretações de Chico Buarque, Inezita Barroso, Martinho da Vila, Paulinho da Viola (quase troco o sobrenome desses dois), dentre outros cantores, vou dizer apenas mais isso: o retrato que Ricardo Dias fez de São Paulo é indescritível, até para mim que já tive minha fase de amar adjetivos.

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