Esta sou eu dando cabimento

Eu nunca gostei de direito. Sou bacharela (palavrinha feia do cacete) e fiz tudo certinho, mas o mundinho (com toda a carga preconceituosa que o diminutivo tem) jurídico nunca me encantou. Sendo bem honesta, quando aprendi tributário e algumas outras coisas de direito público, minha antipatia até diminuiu, mas isso foi bem passageiro.
Quero deixar muito claro que respeito demais o direito e as pessoas que lidam com ele e conseguem a façanha de gostar de tudo que o envolve. Muitas dessas pessoas me são próximas e muito caras, amigos da faculdade, colegas que conheci por causa dela. Mas não tem jeito que dê jeito: não gosto de direito.
Meu sonho de infância era ser jornalista. Tive o tempo, que passou bem rápido, de querer ser economista, mas só por causa do que meus pais faziam. Jornalismo sempre fez meu coração bater.
O problema é que minha mãe dizia “faça jornalismo e morra de fome”, se referindo à triste realidade da profissão que tem piso, em Natal, de novecentos e poucos reais (em São Paulo é cerca de três mil e quinhentos reais, o que ainda não me sustenta).
Não acho que teria morrido de fome se tivesse seguido meu desejo na época do meu primeiro vestibular, mas hoje, depois do permanente contato com a vida real, não me arrependo de ter seguido o conselho materno.
Costumava dizer que, apesar de não ser realizada profissionalmente, o direito pagava as contas. Disso nunca pude reclamar. Não posso esquecer que o embasamento que tive na universidade me ajudou um bocado a passar no concurso. Ao argumento de que não precisaria da formação jurídica para fazer o que faço (sempre tem algum espírito de porco sendo contrário ao que escrevo), isso é bem verdade, mas preciso reconhecer que foi exatamente o “desnecessário” que me ajudou a chegar a Natal e reorganizar minha vida.
Como todo mundo que me conhece sabe, depois que me separei, sem ter mais ninguém para me dizer o que fazer e louca para realizar sonhos, resolvi fazer vestibular de novo e, para surpresa de alguns, passei. Ver o resultado, com meu nome no topo da lista (não por ter ficado em primeiro, mas porque a divulgação dos aprovados foi feita em ordem alfabética), foi uma das grandes boas emoções da minha vida. Até churrasco fiz para comemorar.
Agora, trabalhando na assessoria de comunicação do TRE, afirmo, muito feliz, que estou num ambiente em que fico muito à vontade. Não estou falando de zona de conforto, porque isso para mim é sinônimo de acomodação; mas de ter prazer em trabalhar, em aprender, em conhecer mais pessoas dessa área que me fascina.
Então, respondendo à pergunta que me foi feita, se Deus permitir, e ele há de fazer isso por mim, direito está no meu passado e espero que fique por lá.

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Uma resposta para Esta sou eu dando cabimento

  1. theophile gautier disse:

    Obrigado pelo cabimento. Desculpe a pergunta invasiva. Vc não promete e, de fato, não é fácil.

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