Elucubrações

Estou terminando de ler “Quando Nietzsche chorou”, de Irvin D. Yalom. Seria apenas mais uma leitura, se não tivesse me feito pensar num monte de coisa doida.

Li uma vez um trecho de uma obra de Schopenhauer (do fundo do meu coração, espero não ter errado de filósofo) em que ele dizia que as pessoas tinham que parar de ler e querer aprender o que os outros tinham para ensinar e, em vez disso, pensar por si, ter ideias novas, sem apenas ficar repetindo o pensamento alheio. Para ele, por causa desse hábito, tudo não passava de mais do mesmo.

Parece que, lendo “Quando…”, consegui ter uns pensamentos meio diferentes, sei lá. Afirmo que são diferentes, porque nunca li essas coisas que ando pensando qualquer lugar. Sei que isso não significa que alguém já não tenha pensado, considerando que minha leitura é pouco abrangente. O que raios quero dizer? Que espero estar fazendo algo que Schopenhauer aprovaria, mas não creio estar conseguindo.

Enfim, o livro atribui a Nietzsche ideias como “morra no momento certo”, “consuma sua vida” dentre outras, mas essas duas em particular ficaram zuretando minha cabeça e me fizeram chegar a algumas conclusões.

Pensando sobre como foi minha vida, desde quando era criança, a sensação que tenho é de que morri a cada fase que passou e que voltei à vida logo depois para poder viver mais uma vez.

Não estou falando de reencarnação, ressurreição ou qualquer coisa que diga respeito a qualquer religião ou algo do gênero. Falo apenas de uma sensação que é minha e pode ser apenas minha.

Tenho consciência da confusão desse pensamento, principalmente pela repetição da ideia, mas é exatamente dessa forma que me percebo: morrendo e revivendo várias vezes, em sequência, sabe?

Lembrar a minha infância, por exemplo, é lembrar outra vida, outro tempo, outro espaço; como se a morte mesmo tivesse acontecido àquela Amanda. Quando a criança morreu, deu espaço à adolescente, que morreu também, para dar lugar a uma jovem mulher, também já morta para dar lugar ao que sou hoje, uma mulher adulta.

Não faço ideia de onde isso, que me parece uma grande maluquice, saiu, mas foi no que fiquei pensando.

Pode parecer estranho achar que a vida é, na verade, uma sucessão de mortes, mas hoje acho que é isso mesmo. Cada fase é uma vida, que termina para ser substituída por outra. Não sei se consigo me fazer entender, mas confesso que não estou preocupada com essa parte agora.

Voltando aos conselhos atribuídos a Nietzsche, acredito que morro no momento certo, apesar de não consumir minha vida, consegue entender? Sempre acho que ficou faltando fazer alguma coisa em alguma ocasião, dizer alguma coisa, me comportar de certa forma; mas aí quando vejo já foi, já morri e não dá para voltar no tempo, como nos episódios de Doctor Who.

Meu pai amado, isso tudo é por causa de um livro que fala sobre Nietzsche; avalie lendo um livro escrito por ele? Vou fritar o resto do meu juízo!

Não tenho muito mais a escrever; só queria mesmo externar o que esteve martelando na minha cabeça nos últimos dias, já que sinto que há pouco morri mais uma vez e estou voltando a viver. Acho legal isso, porque me dá a sensação de que cada morte vem seguida de outra chance. Dessa vez, espero ser menos crente nos outros e finalmente aprender a ficar calada.

Deus me ajude!

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