Sim, eu queria ser trainee

Tem uma menina que escreve coisas que amo ler. É uma menina de verdade, com vinte e poucos anos, chamada Juliana Cunha, baiana morando em São Paulo, dona do blog Já matei por menos (www.julianacunha.com/blog).

No post do dia 14/06 Juliana escreveu algo que me deixou particularmente feliz: ela também foi reprovada na seleção pra trainee da Folha de São Paulo.

Também? Sim. Eu fui reprovada na seleção pra trainee da Folha. Essa foi uma das três grandes decepções do meu ano. Considerando que as outras duas foram com pessoas, o sentimento em relação a essa é bem diferente. Sentia que tinha falhado em alguma coisa e, por isso, fiquei muitas noites me perguntando o que raio fiz de errado…

Enfim, em agosto do ano passado resolvi me preparar para o que na minha cabeça seria a grande virada da minha vida.

Primeira prova, em casa, mais de 3000 candidatos. Passei. Segunda prova, Recife, 330 candidatos. Passei. Semana de palestras, São Paulo, 40 candidatos. Reprovei.

Não, não sou louca de ter ficado feliz porque Juliana, que é talentosíssima, reprovou, como eu. Claro que não. Fiquei feliz porque isso corrobora um pensamento que eu já tinha.

Preciso explicar, né? Lá vai: Juliana trabalha na Folha. Luis e Marina, que participaram da semana de palestras comigo e foram igualmente reprovados, estão trabalhando na Folha. É nesse minuto que minha cabeça enlouquece e eu acredito que, se tivesse ficado em São Paulo e participado de alguma seleção, teria chances de, sim, trabalhar no segundo jornal mais lido do país (o primeiro é o mineiro Super Notícia, segundo o Instituto Verificador de Circulação).

Voltei pra Natal e não participei de nenhuma seleção, por uma razão simples: é impraticável sair daqui no meio da semana para uma prova ou uma entrevista, correndo o risco de não ser escolhida, para, em sendo, ganhar o piso do salário de jornalista em São Paulo, sem maiores garantias. Sim, porque o caminho na estrutura da Folha começa com contratos temporários, que podem ou não ser renovados. Essa situação, para alguém que tem a responsabilidade financeira que tenho, é no mínimo supimpa.

Parece loucura da minha cabeça de vento? Parece, mas não é. Poderia tentar alguma coisa por lá, para realizar meu sonho e tudo o mais, com chances de conseguir, inclusive, agora que estou numa posição confortável graças à minha formação. Mas tem um porém, como sempre: o que a Folha paga, ao menos aos iniciantes, não me mantém com a estrutura que me proporciono. Vida real é osso!

Voltando ao que Juliana escreveu, consigo até concordar, em parte, quando ela fala no respeito que a gente pode ter por quem nos rejeita. Na verdade, confessando algo que me é muito claro agora, depois que tudo passou, considero essa rejeição em particular um grande elogio, que também foi feito a tantas outras pessoas, que não foram selecionadas para o programa de trainee, mas acabaram contratadas como jornalistas, ainda que colaboradores, da Folha.

Aí, depois de ter ficado muito p da vida, porque nem tristeza senti na época, enfiei na minha cabeça o impensável: não tenho perfil pra trainee da Folha, mas poderia trabalhar lá. Coisa de gente doida, né?

Mas a melhor parte é que isso acontece mesmo, e Ana Estela, então editora de treinamento (agora ela está em mercado), nos avisou um zilhão de vezes. Juliana, Marina e Luis estão aí -na verdade, lá- provando isso. Claro que ninguém levou muito a sério essa história e as 28 pessoas que receberam email dizendo que não tinham sido selecionadas para o programa, euzinha no meio, se frustraram. Isso é mais que óbvio. Como já disse, fiquei irada.

Agora, analisando tudo de uma distância mais que regulamentar, penso que há uma razão para eu não ter sido escolhida. Tenho que pensar assim, ainda que não saiba que diacho de razão foi essa.

Terminando esse meu pensamento louco, preciso nem dizer que fiquei enlouquecida de feliz por Luis e Marina, que foram duas das pessoas de quem mais me aproximei na semana de palestras. Morro de orgulho dos dois e torço muito pelo sucesso de ambos.

Aos doze selecionados, digo algo que vem do fundo do meu coração: gostaria muito de estar em São Paulo com vocês, muito mesmo. Paciência. Infelizmente, não estava nas cartas.

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Uma resposta para Sim, eu queria ser trainee

  1. théophile gautier disse:

    Eu sei. Desde muito. Acho que a Folha perde muito. Tem ainda um monte de outras coisas para você querer ser. Eu acho que é isso move a vida… as vontades. Que você tenha muitas.

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