Lina Vieira sendo lembrada por Guilherme Fiuza

Olhe, eu não sou uma pessoa política (talvez devesse mudar isso, mas…), não gosto de política e gosto de muito poucos políticos. Quando o assunto é esse, prefiro me abster, para não misturar as estações.
Acontece que hoje li o que Guilherme Fiuza escreveu sobre a Comissão da Verdade de Dilma e achei o texto bem pertinente, principalmente por ter cruzado há algumas semanas com Lina Vieira (acho que foi no Hospital do Coração, num dia em que fui lá me submeter a um exame). Não a conheço, mas conheço quem a conhece, e ela é sempre muito elogiada. Vou arriscar dizer que Lina Vieira é uma unanimidade em Natal. Não deve ser em Brasília, por óbvio, mas achei muito bom alguém ter se lembrado da postura dela na época do imbróglio que culminou na sua exoneração.
Quanto a Fiuza, achava ele o máximo na época da divulgação da biografia de Bussunda, mas o deslumbre foi embora quando ele começou a namorar Narcisa Tamborindeguy.
Como minha intenção não é reclamar das escolhas alheias, segue o texto:

Quem vai desenterrar a verdade do presente?
16:10, 2/06/2012
gmfiuza
Geral
(ÉPOCA – edição 732)
Dilma Rousseff chorou ao instalar a Comissão da Verdade. Entre os companheiros que se emocionaram com ela estava José Sarney, presidente do Senado. Citando Galileu Galilei, a presidente disse que “a verdade é filha do tempo, não da autoridade”. Sarney servia ao regime que Dilma quer investigar, mas isso não tem a menor importância. Ambos são sócios numa verdade que não é filha do tempo, nem da autoridade. A verdade de Dilma e Sarney é filha da mãe de todos os posseiros do Estado brasileiro.
É uma verdade tão generosa que pode admitir até censura. Não a dos anos de chumbo, que está fora de moda. Censura moderna, cirúrgica. A investigação da família Sarney por tráfico de influência vinha sendo exposta por “O Estado de S. Paulo”. Com apoio irrestrito de Lula e Dilma, Sarney ficou firme no cargo e seu filho conseguiu submeter o jornal à censura prévia, que já vai completar três anos. Em nome da verdade.
Galileu entendia dos astros, mas não sabia nada de fisiologismo. Se soubesse, descobriria que a verdade é uma ação entre amigos.
Amordaçar a imprensa foi uma forma eficiente de proteger a ditadura, especialmente quando ela torturava. Dilma Rousseff deve saber disso. Portanto, censura nunca mais – a não ser para defender alguém como Sarney, que como disse Lula, “não é uma pessoa qualquer”. E não é mesmo. Acima do José Ninguém que apóia o governo popular com sua crença, seu voto e outras miudezas, José Sarney é um companheiro diferenciado: põe seus lotes privados na máquina pública a serviço de Dilma, se ela mantiver o seu alvará de sucção. Uma troca verdadeira.
Uma amizade dessas vale gestos extremos. Segundo a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira, a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, chamou-a ao Palácio do Planalto para lhe dar ordens. A Casa Civil não manda na Receita, mas Dilma mandou Lina resolver pendências fiscais da família Sarney. Solidariedade é isso (só quem lutou contra a tirania da ditadura sabe). Dilma não aceitou uma acareação com Lina. Uma virou presidente, a outra sumiu. Se a verdade fosse filha do tempo, a esta altura já estaria num orfanato.
A presidente que quer passar a ditadura a limpo de mãos dadas com Sarney poderia, talvez, pedir uma hora extra à Comissão da Verdade para dar uma olhada no caso Agaciel. O Brasil inteiro ouviu (já se esqueceu, mas ouviu) os telefonemas entre o então diretor e o presidente do Senado combinando nomeações secretas de parentes e amigos. Onde foi parar essa verdade? Ou ela é filha da autoridade e foi retocada, ou Sarney não tem condições morais de presidir o Senado – enquanto não for devidamente investigado. Mas esses detalhes não incomodam Dilma Rousseff em sua cruzada humanista. A presidente dos famintos nem se importa que a filha de Sarney compre 68 toneladas anuais de comida (só para ela e seu vice) à custa do contribuinte, como “Época” mostrou. A verdade varia conforme a fome do dono.
O Brasil precisa acertar contas com seu passado, buscando justiça para os desaparecidos. Mas engole junto a propaganda política dos aparecidos. Ao lado de Dilma, no altar do bem contra o mal, estão heróis como Fernando Pimentel, ex-guerrilheiro, atual ministro vegetativo do Desenvolvimento. A resistência aos militares forjou nele valores sólidos, como ser amigo da presidente e faturar alto com consultorias invisíveis. Somando-se o passado e o presente de Pimentel, a única verdade insofismável é que ele não perde o cargo de jeito nenhum – nem depois de voar de favor em avião de empresário. Rodoviária nunca mais.
A luta continua, como prova Ideli Salvatti, ex-militante de direitos humanos na ditadura. No Ministério da Pesca, ela operou o milagre da multiplicação das lanchas – cujo fabricante, por coincidência, bancou sua campanha eleitoral. Na posse, Ideli cantou Ivan Lins para celebrar o triunfo da esquerda: “No novo tempo, apesar dos perigos; da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta; pra sobreviver, pra sobreviver”. Ideli sobreviveu graças à Comissão de Ética da Presidência – devidamente enquadrada por Dilma após dinamitar o companheiro Lupi –, que arquivou o caso das lanchas.
Nada como desenterrar as verdades certas, e enterrar as erradas. Pra frente, Brasil.

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