Santo Antônio

Depois de um longo e tenebroso final de alistamento eleitoral, estou de volta. Ainda com preguiça e sem assunto, sabe? Na verdade, acho que ainda estou impregnada da decepção que é ver o quanto nosso eleitorado é corruptível. Sim, fiquei mesmo impressionada.

Como eu já tinha trabalhado em zona eleitoral, tinha uma imagem bem mais civilizada de como as coisas aconteceriam em Santo Antônio. O problema é que não me dei conta de que Serra Negra, onde trabalhei, era uma zona com apenas um município, onde as pessoas são mais conscientes do valor do voto e a corrupção, apesar de existir, não é tanta. Santo Antônio, com seis municípios complicados, tirou meu juízo e o resto de esperança que eu tinha.

No primeiro dia, mesmo vendo todos os absurdos escancarados para quem quisesse ver, consegui manter o bom humor e tive mais paciência com as mentiras escabrosas contadas por quem estava ali para transferir o título já em troca de uma compensação pecuniária. Pelo menos eu e Tetê, que estava comigo nessa arrumação, almoçamos no melhor restaurante da cidade, que ofereceu muita comida pingando a óleo (claro que não comi isso, né?), mas me salvou com um feijão bom que só. À noite, o negócio pegou, porque nem eu nem Tetê pensamos que corríamos o risco de dar de cara com todas as lanchonetes da cidade fechadas. Claro que foi exatamente isso que aconteceu e a pessoa saiu cansada do cartório, com fome e deu de cara com uma pizza de microondas. Preciso nem dizer o quão feliz fiquei.

No segundo dia, minha paciência me falou que ia ali e voltava já, mas se esqueceu disso e me abandonou. Minhas costas estavam péssimas, porque a cadeira era ruim, a posição era ruim, ficar se virando o tempo todo para pegar as impressões era ruim. Pelo menos foi possível, além de almoçar no melhor restaurante do lugar, jantar no supermercado, o que deixou eu e Tetê mais tranquilas, depois do raio da pizza da segunda. E ainda bem que comemos alguma coisa, porque o atendimento foi até depois de meia-noite.

Estou tentando me lembrar direito do terceiro dia, mas só me vem à cabeça que não foi tão ruim, já que tudo acabou por volta das 22h30. Acho que não estava mais nem aí para as mentiras, para os descalabros que vi naquela cidade. A pessoa vai ficando tão cansada de ouvir e ver essas excrescências que nem liga mais. Ruim isso, mas bem verdade.

Eu sei que o histórico de corrupção no Brasil remete à colonização e todo o blá blá blá que todo mundo sabe, mas isso não minora a decepção de ver como as coisas são terríveis.

Paciência, né?

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O nome da cidade era Santo Antônio do Salto da Onça. Não consegui descobrir a história e depois que saí de lá fiquei com preguiça. Quem tiver curiosidade, procure no Google.

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