Eu sou preconceituosa

Acho isso uma falha de caráter, mas esta é só uma das muitas falhas do meu.

Acho que modelo deve ser magra; blogueira de moda, bonita; blogueiro em geral, inteligente; todas as pessoas devem conhecer direitinho as formalidades do bom português (tenho uma birra eterna com linguistas, mas, como cometo erros de vez em quando, acredito que ao menos os meus devem ser perdoados).

Falar/escrever corretamente para mim é imprescindível e eu já desisti de me relacionar com algumas pessoas por frases como “mim sinto só” e “você estar bem?”. Um adendo: Alexandre, faz uns dez anos que eu aprendi que peso é masculino, e, graças a você, nunca esqueci. Tinha que ter sobrado algo daquela história sem futuro, certo?

Não consigo respeitar homem de mão pequena. Já acabei o que seria um namoro promissor por isso. Perdoo os carecas, mas não consigo ter a mesma benevolência em relação aos que têm caspa.

Aquele cheirinho azedo também não dá; dele eu literalmente saio correndo. Banho é muito bom e é preciso que todo mundo dele goste. Ou pelo menos todo mundo com quem eu convivo. Com o resto eu tento, juro que tento, não me importar.

Não consigo respeitar mulher que não trabalha. E agora eu me lembro do meu maior sonho de consumo: ser esposa e mãe em tempo integral, casada com um cara que me ame o suficiente para me deixar gastar seu rico e suado dinheirinho (sem reclamar, claro!).

Não tenho paciência para quem se acha (mas eu me acho, sabe? E aí? Vai encarar?). Julgo gente sem conhecer (tento muito não fazer isso, mas tem horas em que simplesmente não rola) e também já falei mal de desconhecidos (além de já ter falado horrores dos conhecidos). Sim, julgar e falar mal para mim são coisas distintas.

Não gosto de mentiras, mas já menti. Hoje quase não minto, por pura inexistência de razão para tanto (já me disseram, inclusive, que eu deveria incluir umas mentirinhas no meu dia a dia).

Acho que quem é magro é mais feliz. Acho que mulher que tem pé grande também (muito mais fácil achar os melhores sapatos nas liquidações), assim como homem de pescoço comprido (as gravatas ficam muito melhores em pescoços longos).

Não sei dizer se quem tem iphone é mais feliz, mas com certeza quem tem blackberry é feliz pra cacete.

Acho que perna grossa tem obrigação de ser dura (a minha é grossa e mole).

Na minha cabeça quem inventa de pintar cabelo deve ter o cuidado de mantê-lo bem hidratado; o comportamento contrário é um desrespeito ao próximo. Quando inventei de colorir o meu, a preguiça de hidratar era monstra e tudo ficou ressecado. Decidi que não pinto mais. A beleza dos primeiros dias não compensa o trabalho dos seguintes. Claro que essa decisão só durou o tempo exato de eu me esquecer a impressão: cá estou eu pintando as madeixas.

Não consigo disfarçar o que estou sentindo. Já tentei horrores, mas parece que quanto mais eu tento, menos eu tenho sucesso. Se eu não gosto de uma coisa ou de alguém, vai estar lá estampado na minha cara. Isso não é preconceito, mas uma característica que me dá um trabalho homérico.

São tantos os preconceitos que nem consigo me lembrar do resto. Acho que minha cabeça bloqueou certas coisas para que eu não me sinta tão humana.

Já sei que tem gente pensando que além de preconceituosa eu sou mesmo é invejosa. Pode ser bem isso mesmo. Mas só um lembrete: eu não fui a primeira, e certamente não serei a última, a negar o óbvio ou a dizer que a grama do vizinho é mais verde.

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6 respostas para Eu sou preconceituosa

  1. Rossana disse:

    Você é corajosa!

  2. Maria das Graças Xuxa Meneghel disse:

    Franklin Capistrano tem vaga para atender segunda feira as 09:00.

  3. Ana Carolina Luna disse:

    Amanda, é por essas e por outras que me identifico tanto com você. Entenda-se “essas” as verdades que você acaba de escrever e “outras” sua coragem para dizer tudo isso assim na lata e com tanta destreza. Parabéns amiga! Vc me mata de orgulho.
    Bjos daqui de Luanda matando a saudade de nossas conversar lendo e morrendo de rir com seu blog! Vc é mara!

  4. Pedrador disse:

    Meu! (Espaço do Leitor) você continua embusteira, no bom sentido – e acredite existe bom sentido para isso. Você continua montada, como eu diria… como El Cid, lembra de Charlton Heston, com uma pujante força, num enorme cavalo branco espantando os exércitos inimigos. O que ninguém sabe, ou somente os que gostam de você e a conhecem bem, é que El Cid está morto (lá na cena do filme). Ficou meio pesado né? não foi a intenção. Juro! nem a pau! (expressão sua) e não foi mesmo.
    Você se protege nessa armadura visual de rigor, com você e com os outros, tipo: sou foda e me cobro isso e por isso cobro de todo o planeta a mesma coisa. Quer saber? Não. Não somos. Nem você é e nem eu sou, sabe!? você + eu = não somos. Somos o que em parte você confessa, no intuito de garantir a coerência do discurso, somos medo e desejo. Somos vontade de acertar na fellicidade, mas numa retração de medo enorme que imobiliza nossas decisões – sempre fui craque nisso.
    A gente vai costurando o que dá. Um ponto ali, outro aqui, mas nem sempre a costura sai essa Brastemp toda, como não dá pra voltar a gante vai corrigindo e adaptando o caminho. Eu acredito e isso é meio religioso, ou seja, não tem fundamento racional, que a vida, não interessa o que façamos, leva a mesma conclusão: a que a gente quiser ter. Seremos felizes ou infelizes a depender da nossa avaliação, conforme o critério aplicado. Sempre é possível estar (aqui pode?) feliz.
    E o bacana é que você vai nesse caminho, mesmo poetizando a felicidade-ainda-que… Gosto de você, sempre gostei, sempre… mas acho que você, pelas pedras que colheu no caminho, ficou meio pedradora (como alguém falou perto de você certa vez)…. a mulher que atira pedras. As suas, as vezes, se desfazem numa poeira fina e cintilante, que fazem brilhar ainda mais esses grandes dentes brancos que você tem e esse sorriso que é o mais legal que já vi. Outras explodem em regras, preconceitos e padrões que ninguém, nem você, como você mesmo confessa, pratica.
    Ficou longo, foi mal. Saiba El que lhe conheço você (como no primeiro parágrafo). Sou medo e desejo (como no segundo). Costuro-me (da maneira usual você não perdoaria – me costuro), sou ateu e acredito na felicidade (como no terceiro) e acredito nessa mágica que você espalha com seu olhar e seu sorriso, que reflete você mais que tudo, mas nunca dei a mínima para o que você fala. Acho e gosto de achar isso, que lhe conheço bem e vivo vendo seu sorriso que mostra essa limpidez de espírito.
    Não sei se ficou claro, mas gosto de você, bem mais que pode imaginar…. acredite. Please!!!
    Vou correr um risco, sabendo como você é orgulhosa: – Não publique isso, que é assunto meu e seu.

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