No meio do caminho inventaram o Dia D

Hoje é o dia D. Não, hoje não tem nada a ver com o dia D a que a gente foi apresentado na época do colégio, estudando história. E eu não falaria nada relacionado a Segunda Guerra.

Hoje, 31 de outubro, é o dia em que Carlos Drummond de Andrade nasceu (o ano foi 1902, caso alguém queira fazer graça). Para comemorar a data, o Instituto Moreira Salles resolveu criar o Dia D, com clara inspiração no Bloomsday, que acontece todos os anos, em 16 de junho, comemorando a obra Ulisses, de James Joyce, escritor irlandês.

Nossa versão busca homenagear aquele que é o meu escritor brasileiro favorito e que escreveu Amar, poema dos mais lindos. Eu, nesse minuto, estou com o raciocínio atropelado para falar de uma criatura que concebeu um livro cujo título é Amar se aprende amando. Acho mesmo que não há paralelo, na língua portuguesa, de Drummond com qualquer outro autor, quando falamos de poemas de amor. E de outras coisas também, afinal de contas no meio de qualquer caminho sempre existe uma pedra.

Minha amiga Carolina um dia me perguntou o que eu estava lendo e eu disse que era ele. Não me lembro bem do que ela falou na hora, mas foi algo tipo: Eita, o negócio está sério. E estava mesmo. Só Drummond conseguiria me acalentar ali. E ele não decepciona.

No site do Dia D, há um pequeno resumo da proposta:

Espalhe-se a ideia, tão simples quanto ambiciosa: transformar o dia 31 de outubro, data de nascimento de Carlos Drummond de Andrade, num dia de grande comemoração.

Nas escolas, universidades, livrarias, bares, museus, TVs, rádios, centros culturais e mesmo em solidão, não importa onde e como, que todos se lembrem de festejar Drummond e a sua poesia.

Um outro dia D, para apagar a guerra e saudar a liberdade, a imaginação, a aliança entre os homens de boa palavra.

Dia de festa, para a qual outros poetas devem ser convidados, claro. D é dia de todos, dia dado de bom grado por aquele que nos deu A rosa do povo,Claro enigma, A vida passada a limpoe tantas outras maravilhas.

Dia D. Dia de Drummond

Como o dia é de celebração, deixo um trecho de um de seus mais belos poemas, O amor bate na aorta:

Amor é bicho instruído
Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que escorre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.

Tem coisa mais verdadeira???

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s