Estar na moda é tendência

Quanto mais eu leio que a moda atual é democrática e que todo mundo pode usar tudo, menos eu vejo isso como uma verdade.

Basta alguma coisa (tipo a saia longa plissada transparente) ser dita como sendo a tendência (essa palavra é mal empregada, mas todo mundo a usa quando se refere a algo que muitas pessoas fazem e eu vou repetir o equívoco mesmo para ser melhor entendida) do momento e pronto: a gente sai e vê sete ou oito dentre dez criaturas usando o negócio.

Então eu me pergunto: onde ficam a individualidade e a criatividade?

Quando alguma coisa entra na moda, se for algo de que gosto, eu compro. Mas normalmente não uso enquanto está em voga, para não me sentir uniformizada como na época do Colégio das Neves. Naquele tempo, para mim fazia todo sentido andar de farda, mas agora, depois dos trinta, não faz muito. E eu gosto mesmo de me destacar na multidão, não vou mentir, ainda que seja uma multidão pequena (o contrassenso -escrito feio assim mesmo- é proposital).

Numa das minhas idas a São Paulo, eu andei por vários lugares e meu pensamento foi, para minha tristeza, corroborado. Quando estive no Shopping Iguatemi, o que vi foi um monte de menina vestida de forma igualzinha: com exceção da escolha das cores, todas estavam de mini saia, camisa regata, cardigã e sapatilha. Achei de uma falta de criatividade sem tamanho. Eu estava com uma calça saruel, uma blusa enorme e havaianas. Super parecida.

No dia em que fui à Rua Oscar Freire as coisas mudaram, apesar de muito pouco, e foi possível ver algumas variações dos uniformes, que ainda se fizeram presentes. No Shopping Cidade Jardim, as fardas permaneciam, mas eram as mulheres (e não mais as meninas) que estavam se parecendo, vestidas com calças de paetê, camisas soltas e abotinados. Um luxo!

O que me estranha nisso tudo é que São Paulo é considerada a capital brasileira da moda, além de ser um lugar onde as pessoas conseguem ter acesso a todos os estilos de roupas disponíveis no mercado -com variações de preço e qualidade, claro, mas está tudo -ou quase tudo- lá. E é exatamente neste lugar em que percebo pouca originalidade das pessoas quando se vestem. Não quero dizer que criatividade seja sinônimo de andar com um laçarote na cabeça, longe disso. Acho que ser criativo e estar na moda são coisas que podem e devem caminhar juntas. Para mim, uma mulher vestindo uma calça jeans, que não precisa ser boca de sino, com uma camisa branca, que pode ser de algodão ao invés de seda, e um sapato legal, que não seja espadrilha (o VOLP não reconhece esta palavra, ok?), vai estar bem vestida e na moda, ainda que não esteja usando todas as tendências.

Sempre pareço um ET quando ando por aquelas bandas. Gui, meu amiguinho, diz que acha engraçado andar comigo por São Paulo, porque todo mundo fica me olhando estranho. Eu já me acostumei. Ele, espero eu, um dia chega lá.

P.S.: Só para esclarecer, eu, que não sou doida nem nada, sei que em Natal as coisas não são tão diferentes, tá?

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