Caso Rhanna

Desde que soube da agressão que Rhanna Diógenes sofreu no Pepper’s Hall, eu tenho acompanhado as notícias de forma marginal. Minha família e meus amigos mais próximos sabem que eu não tenho condição alguma de emitir opinião sobre esse tipo de violência de forma isenta. Por causa disso eu já estava firmemente decidida a não me posicionar, até porque o advogado do agressor é meu amigo de infância e nossas mães são amigas há sei lá quantos anos.

Meu primeiro pensamento foi escrever sobre o direito que Rômulo Lemos tem de ser defendido, não importando o mal que ele fez. Como bacharela em direito que sou, preciso reconhecer que qualquer pessoa, inclusive ele, tem assegurado constitucionalmente o direito ao contraditório e à ampla defesa. Isso está em algum inciso do artigo 5º, mas eu não vou procurar no Google.

Eu sequer tinha visto o vídeo onde aparece claramente o que aconteceu. Mas aí eu inventei de assistir à reportagem veiculada pelo Fantástico e fiquei pensando onde está o respeito à dignidade da pessoa humana, que eu decorei, estudando com Wânia, que é fundamento constitucional garantidor, presente no art. 1º e que, na minha tendenciosa opinião, deveria vir antes de qualquer outra coisa. (Este período está longo, foi escrito de um fôlego e eu não estou nem aí.)

Depois disso, não me contive e resolvi escrever alguma coisa, só para não morrer entalada. Apesar de a minha resolução primeira ter sido ficar inerte, não consegui deixar isso passar.

Para deixar bem claro o que eu escrevi antes, o que eu quero dizer é: Rômulo, que vai ter o direito ao contraditório e à ampla defesa, não respeitou a dignidade de Rhanna. E não foi só quando resolveu quebrar o braço dela. Ele não a respeitou desde o momento em que não aceitou o não que ela já tinha lhe dado e ficou insistindo.

Por acaso nós mulheres temos o dever de aceitar investidas de homenzinhos quaisquer? Eu aprendi que não. Hoje, mais do que nunca, me dei a opção de escolher, de forma muito exigente, quem fica perto de mim. E não é a qualquer pessoa que eu permito aproximação.

Eu nunca consegui entender por que alguns homens se sentem no direito de agredir, emocional ou fisicamente, qualquer mulher, por qualquer razão que seja. Também não entendo o motivo de uma negativa feminina ter o poder de causar num homem um acesso de raiva tão grande, que ele sinta necessidade de se impor violentamente.

Em algumas das vezes que saí em Natal, infelizmente me deparei com comportamentos masculinos absurdos, cretinos, doentis. E as minhas amigas falam a mesmíssima coisa. Aparentemente receber um não de uma mulher é demérito demais para a autoestima desses meninos. Eles simplesmente não aguentam e/ou não querem aceitar uma negativa.

Na última vez que fui ao Pepper’s Hall estava acompanhada de um primo que tem quase dois metros de altura e pedi a ele, três vezes, que ficasse perto de mim e das minhas amigas, para que não fôssemos importunadas. Ainda bem que a altura e o porte dele intimidam esses homens minúsculos que andam por aí. O problema é que meu primo com porte de segurança não está sempre disponível para agir como meu protetor.

Eu já estava praticamente sem expor minha figura em Natal. Depois desses episódios, vou ficar ainda mais reclusa. Para mim, saídas agora só em turma (que tenha alguma figura masculina conhecida que me defenda, caso eu precise), com minha família ou a trabalho. Eu literalmente não tenho saúde para lidar com esse tipo de situação.

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Uma resposta para Caso Rhanna

  1. Helder disse:

    Às vezes alguns espécimes da raça causam vergonha, mesmo. Eu me pergunto como se reproduzem (sim, muito provavelmente esse babaca vai achar alguém que queira ter filhos com ele). Mas se isolar tanto não é a melhor opção, Amanda. É como medo de assalto, se as pessoas deixarem, ninguém vive por conta dele. É mas um cuidado maior, especialmente na hora de escolher o lugar pra ir. Beijos.

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