Solteira e feliz

Eu vivo olhando coisas na internet e estava procurando um livro sobre teoria da comunicação no site da Saraiva e eis que me deparo com o título “Solteira e feliz – Guia clássico para mulheres”. Só consegui rir.

A pessoa que escreve um livro chamado “Solteira e feliz”, na minha opinião, deve querer dar algum tipo de satisfação a alguém. E, detalhe que para mim faz diferença, o tal livro está na promoção por R$ 7,90. Isso não pode ser um bom sinal.

Agora eu me preparo para o início do linchamento. Sim, porque o discurso atual é esse mesmo: ser solteira é o que há de mais legal e mais moderno no mundo feminino. E eu digo, do alto da minha pouca experiência: é possível, sim, ser feliz solteira, mas ter isso como estilo de vida é algo que não cola. Uma falácia sem tamanho para quem procura justificar o injustificável.

Mulher solteira que sou, reconheço no meu estado civil uma qualidade que me é muito cara: faço o que quero, com quem quero, quando quero, sem dar satisfação a quem quer que seja. Isso é igual a mastercard, não tem preço. O problema é que isso cansa. Eu reconheço que cansei de fazer o que quero, com quem quero, quando quero, sem dar satisfação.

É a velha história de se ter opção. A pessoa está na frente do armário, com milhões de roupas e chega à conclusão de que não tem nada que sirva, sabe como? É assim mesmo que me sinto. Eu posso fazer tudo do jeito que quero, mas esta opção não me serve mais. Na verdade, acho que o que eu quero é não ter poder de escolha. Tipo, só tem tu, vai tu mesmo. Pode acabar de me matar aqui, não estou nem aí.

Preciso deixar claro que acho legal ficar só por um tempo, para se descobrir, para aprender coisas novas, até para aprender a ser só, acostumar-se consigo. Mas isso tem que durar um tempo. E só. Mais que isso é muito sem futuro.

Não dá pra fazer de conta que é muito mais legal fazer coisas só que acompanhada. Às vezes até é, mas só às vezes. Essa história de mulher autossuficiente e independente, que não precisa de ninguém, que faz tudo sozinha é muito chata e, para quem acaba vivendo assim (aka EU), muito cansativa.

Honestamente, enchi o saco. E digo para quem quiser ouvir: eu quero um namorado pra chamar de meu. Quero um homem que seja carinhoso, me dê abraço de urso, pegue meu carro e vá calibrar os pneus (porque eu sempre esqueço que pneu precisa disso), troque a lâmpada queimada do meu closet, me leve para jantar, dentre outras coisas, claro. E, sim, eu sou machista, mas isso é assunto para outro post; não misturemos as estações.

O nó dessa querença é que os anos me deram algo que atrapalha, e muito: a tal experiência que mencionei antes, que, apesar de pouca, existe. Para mim, é muito fácil identificar roubadas num espaço de tempo curto, o que não me deixa criar sequer as ilusões básicas do tipo “ele pode mudar” e “comigo vai ser diferente”. Sabe por quê? Homem não muda e os comportamentos são sempre iguais, com raríssimas exceções.

Quem é a louca que vai arriscar, acreditando numa ilusão que quase nunca se concretiza? Eu mesma não. Então o que eu faço? Saio correndo desesperadamente. Já paguei tantas cadeiras de coisa sem futuro, que, quando percebo algum comportamento indicativo de problema, pego a minha saída pela direita e tchau. Às vezes até sem o tchau (não me orgulho disso, mas, paciência, been there, done that).

E vou indo, começando a achar que o bom é ser feliz assim. Solteira.

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