Caio F., o homem que preferiu viver a ilusão do quase

Quem me conhece um pouco acima da média sabe que Caio Fernando Abreu é um dos meus autores preferidos. Gaúcho, inteligente pra cacete, meio maluquinho, meio irresponsável, meio um pouco de tudo o que todos somos, sabe assim?

Comecei a me interessar pela sua obra depois que li alguns trechos de seus livros no blog de Paula Pfeifer (sweetestpersonblog.com). E até hoje o que mais me encanta é que ele escreve coisas que eu e você poderíamos ter escrito, sobre sentimentos que certamente são ou já foram nossos, de uma forma tão cruelmente verdadeira que a identificação é inevitável.

Caio escreveu muito sobre decepção amorosa, algo que ele vivia muito intensamente; então tudo acaba sendo muito igual ao que todos nós já passamos. Ler algo dele deixa muito claro que as histórias e as sensações são sempre as mesmas, apesar de os personagens serem distintos.

Tenho muitas frases prediletas, mas estão no topo da lista estas:

– “Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra.”

– “Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.”

– “Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe?”

– “Amor não resiste a tudo, não. Amor é jardim. Amor enche de erva daninha.”

Há milhões de outras coisas maravilhosas que Caio escreveu e que me tocam a cada vez que leio ou releio seus livros (sim, eu tenho alguns, não todos, mas quase todos). Mas preciso confessar que ler Caio é algo que tento evitar fazer quando estou passando por alguma coisa que possa ser semelhante ao que ele já descreveu. Porque parece que quanto mais nos identificamos com o sofrimento que está no papel, mais queremos nos aprofundar nele. Uma porcaria! Mas nesse caso pelo menos é uma porcaria literária.

Então, eu escrevi isso tudo para dizer que hoje, 12 de setembro, seria o aniversário dele e, aproveitando a data, a escritora e astróloga Amanda Costa lança o livro 360°: Inventário astrológico de Caio Fernando Abreu, em Porto Alegre, no Lugar Maior, que fica no Bom Fim. Se eu estivesse lá, certamente iria, mas infelizmente vou deixar para comprar o livro depois (talvez na minha próxima ida a Porto, quem sabe?).

E eu não estou em Natal. Nesse minuto estou em São Paulo, na casa do meu irmão, esperando minha tia, que vai me levar para comer um dos melhores yakissobas que já experimentei na vida (como eu estou querendo fazer um post com os lugares para comer que conheci e de que gostei dessa vez em Sampa, vou deixar pra falar do yakissoba depois, tá?).

Beijo, não precisa me ligar!

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para Caio F., o homem que preferiu viver a ilusão do quase

  1. carmen disse:

    Que delícia de texto, amei !!!!!!! Essa é Amanda, Amanda menina, menina Amanda, em busca de si mesma,mandando bem!!!!! bjs

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s