Feliz Natal e Próspero Ano-Novo

Não me lembro de ter demorado tanto a escrever minha retrospectiva, como dessa vez. Tanta coisa acontecendo, que eu cheguei a considerar deixar esse ano passar batido. No entanto, tendo deixado de fazer festa no meu aniversário (esse já foi o segundo ano sem) e com isso mudando um pouco a rotina anual de algumas pessoas, não quis fazer o mesmo com o Natal.
2014 foi um ano deveras peculiar. Ano de ilusões que se desfizeram, de decisões que foram tomadas, de mudanças implementadas. Olho para o início do meu ano e me lembro de todos os planos então existentes apenas para chegar à conclusão de que desejos não passam disso. Algumas das minhas maiores certezas se mostraram inúteis e isso foi algo que mexeu comigo.
Perceber coisas parecidas acontecendo com algumas pessoas muito próximas me fez chegar à conclusão de que toda metamorfose precisa ser bem-vinda, mesmo quando não esperada. O nó é que abraçar o que não se espera não é um comportamento comum, ninguém nos ensina a fazer isso. Sem falar no tanto que o desconhecido assusta, incomoda. Sair da zona de conforto, por pior que ela seja, é muito difícil, eu bem sei. E nada fica mais fácil quando a decisão é nossa. A responsabilidade pela transformação chega às vezes de forma avassaladora e isso é aterrorizante. A boa notícia é que, se temos a necessidade de fazer algo diferente, existe sempre uma boa razão, e é ela que nos segura no propósito e nos mantém em movimento.
2014 também foi o ano de algo absolutamente fantástico para mim: a graduação em jornalismo. Ouvir meu nome sendo chamado no dia da colação de grau foi uma das situações mais emocionantes da minha vida. O curso dos meus sonhos finalmente concluído, depois de quatro anos. Foi bom demais, principalmente porque pude dividir com pessoas queridas minha conquista. Foi um dos dias mais lindos desse ano, sem dúvida.
E no meio de tudo isso, encontrei alguém que faz meus olhos brilharem. Alguém longe de ser perfeito, mas cheio de qualidades que me são caras. Alguém que me mostra a cada dia o quanto nós podemos ser melhores, desde que queiramos de verdade. Alguém que presta atenção em mim, me ouve e tem segurado minha mão e me mantido firme depois que tomei uma das decisões mais incríveis da vida: me mudar para São Paulo.
No início do meu ano eu disse várias vezes que este seria o último em Natal. Mas o destino que me vinha à cabeça não era São Paulo, como vocês sabem. E eis-me aqui, organizando a parte prática da mudança, vendendo apartamento em Natal, encaixotando e me desfazendo de pertences. Há alguns dias eu estava apavorada. Mas agora que as coisas estão se acomodando, estou começando a me tranquilizar.
Desejo a todos um Natal abençoado, farto, feliz, cheio de amor.
Para 2015 meu desejo é que nós todos nos lembremos de que algumas de nossas escolhas não nos definem e que devemos nos perdoar por todo e qualquer mal que nos causamos por causa delas.
Que o ano-novo chegue acalentando os sonhos e anseios de todos nós, principalmente para não nos deixar desistir ou esquecer dos nossos propósitos mais importantes. As urgências vão existir sempre e eu espero que não as coloquemos por muito tempo na frente do que realmente vale a pena.
Que Deus continue nos guiando e enchendo nossas vidas de bênçãos. Amém.
Feliz Natal e um lindo e maravilhoso Ano-Novo.

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Sainte Marie Gastronomia

Quem quiser que discorde de mim, mas vou morrer afirmando que alimentar o outro é provavelmente a maior forma de amor que existe.

Fui ao Sainte Marie Gastronomia pela primeira vez em fevereiro desse ano, exatamente no dia 17. Já fazia um tempo que eu tentava, mas sempre aparecia alguma coisa que me atrapalhava os planos.

Conhecido por ter o chef mais fofo do universo gastronômico, o Sainte Marie, apesar do nome francês, serve a melhor comida árabe que já experimentei. Além disso, Stephan Kawijian, dono do sorriso mais aberto que a culinária já conheceu, recebe todo mundo com a simpatia genuína de quem acredita, como eu, que amar é bem alimentar. Junto com Sabrina, sua mulher, ele divide a vida e o comando do restaurante, que tem o cardápio mais fofo que já vi, escrito em fofonhol, português e francês (as fotos abaixo são antigas e os preços não são mais esses, só para ficar claro).

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No meu primeiro dia no restaurante, fui só para lanchar e, por ter pouco tempo, comi apenas a coalhada seca e o pão sírio, oferecidos como cortesia a todos que sentam nas suas mesas, e pedi esfiha de carne. Não sou expert em comida e não tinha experimentado grandes coisas da cozinha árabe, mas fiquei encantada com a coalhada, macia, ácida na medida. A esfiha de carne tinha a massa absolutamente leve e a carne perfeitamente temperada com especiarias. Levei para casa a esfiha de botarga e fiquei impressionada. Já tinha experimentado o ingrediente em massas, mas daquela nunca daquela forma.

A volta no dia seguinte para almoçar e conhecer com calma o que Stephan tinha a oferecer foi mandatória. Estava com minha tia, boa de boca como eu, então fiquei à vontade para pedir mais de um prato. Como o couvert (a coalhada seca e o pão sírio) já era garantido, não pensei em pedir entrada. Isso não impediu Stephan de nos mimar, como ele diz, com a esfiha de basterma (ou basturma, como queira) e de coalhada recém-saídas do forno.

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Nunca tinha comido a carne curada, temperada com páprica doce e especiarias e me encantei.

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Nunca tinha passado pela minha cabeça a possibilidade de coalhada dentro de uma esfiha. Ainda bem que alguém teve essa brilhante ideia.

Como prato principal, pedimos falafel, kafta de carne e arroz marroquino.

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Quando tudo chegou, minha tia falou que não conseguiríamos comer. Para não dizer que ela errou feio, conseguimos levar para casa um pouco do arroz. E só.

O falafel estava bom, mas preciso confessar que não foi o meu preferido. O do Las do Falafel (Paris), o que mais agradou meu paladar até hoje, é difícil de ser batido.

Por outro lado, a kafta, que segundo o cardápio é a arte de afofar carne com especiarias, cebola e cebolinha, estava de arrasar coração: perfeitamente temperada, deixando claro como uma boa combinação de ingredientes deve funcionar. Junto com o arroz marroquinho, que é afofado com amêndoas, avelãs e cebolas, a refeição foi absolutamente perfeita.

Não aguentamos sobremesa, o que não impediu Stephan de nos trazer outro mimo: a mousse (eu sinto muito, mas mantenho minha recusa em escrever musse) de chocolate.

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A receita é do chef Laurent Suaudeau e é a melhor que já experimentei. O sabor e a textura são incomparáveis. Feito com chocolate meio-amargo, é maravilhoso ao meu paladar.

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As duas fotos acima são do quibe montado, que pode ter, segundo Stephan, várias camadas, a gosto do freguês. Nesse especificamente, a coalhada seca era de leite de cabra e eu podia ter morrido depois de tê-lo comido. A combinação do quibe frito, com o cru, mais a coalhada, mais as verduras cortadas no meio, mais a cebola frita, transformam uma porção em algo que só pode receber um adjetivo: perfeito. Abaixo, o último que comi, um pouco mais alto que o de cima e com coalhada seca de todo dia.

fotoÉ difícil errar quibe cru e o do Sainte Marie é bom, mas não abala minhas estruturas, tanto que só o comi uma vez.

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Mas a mousse de chocolate é algo que me abala e muito. Com ou sem calda de maracujá (que eu sempre deixo de lado nas fotos, falha minha), é algo por que meu coração bate muito forte.

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foto-3foto-4Sim, eu como muito quando vou ao Sainte Marie, não tenho como me esconder disso. E para quem não é fã da culinária árabe ou não gosta de mousse de chocolate (se essa pessoa existe, tenho muita pena dela) preciso dizer: semana passada, estava louca para comer comida de panela, mas sem saco sequer para esquentar água. Cheguei lá, falei para Sabrina o que queria e ela me sugeriu filé com cebola caramelizada. Aceitei a sugestão e acrescentei feijão, arroz e farofa com ovo (sugestão de Stephan) ao meu pedido. Sorry, mas sou dessas.

Antes de o meu pedido chegar, me veio o couvert, como sempre, e um mimo: basterma delicioso.

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Pouco tempo depois chegou o meu pedido:

foto-5foto-6Me esqueci completamente de fazer foto do feijão e do arroz, porque a vontade de comer era tanta que quando me lembrei de fotografar, já tinha comido mais da metade. Paciência, né?

Infelizmente não dá para ver pela foto, mas a carne era alta e veio ao ponto, exatamente como pedi. Absurdamente macia, bem temperada, ficou perfeita com o doce da cebola caramelizada. A farofa estava boa, mas, como sou uma nordestina farofeira, preciso dizer que já comi melhores. De qualquer forma, considerando o conjunto da refeição, isso foi apenas um detalhe que não fez diferença.

Depois que aprendi o caminho, ir ao Sainte Marie passou a fazer parte dos afazeres obrigatórios quando estou em São Paulo. Por ter voltado algumas vezes, pude experimentar outras coisas do cardápio, como os quibe cru e montado,  humus com e sem beterraba, linguiça de cordeiro (feita por Stephan), esfiha de cebola, coxinha, torta d’edy (de pistache e amêndoas), folhado de pistache, carré de cordeiro, polvo à galega.

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Preciso falar com um pouco mais de cuidado sobre o carré de cordeiro e o polvo à galega. Pedi o carré ao ponto e ele veio acompanhado de cuscuz marroquinho feito com macarrão cabelo de anjo e cebola frita.

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Já comi carré em vários lugares e feitos de forma primorosa. O do Sainte Marie veio absolutamente macio e bem temperado, salgado apenas para salientar o sabor da carne. De longe, o melhor que já experimentei. O arroz marroquino, que comi nessa ocasião pela segunda vez, estava divino.

Hoje, aceitando sugestão de Sabrina, pedi o polvo à galega.

foto-13Como escrevi no Instagram e repito aqui: se lula para ser macia precisa apanhar, tenho muita pena dessa, que deve ter levado uma surra sem fim de Stephan. Já comi polvo macio, é claro, mas preciso deixar claro que nunca um como esse. Usei a faca para cortá-lo, mas unicamente por hábito. Mastiguei cada pedaço como se fosse o último, tamanho meu deleite. As batatas estavam boas, mas presentes no prato como coadjuvantes e foram ofuscadas pelo sabor do molusco.

Demorei muito para escrever sobre o Sainte Marie e talvez isso, além da minha gula, tenha sido um pecado. Mas, exatamente por ter agido assim, tive o prazer de ir lá inúmeras vezes e constatar a consistência em relação à preparação dos pratos, algo importantíssimo quando o assunto é comida.

Poderia falar mais detalhadamente sobre cada coisinha que experimentei, mas o post ficaria ainda mais gigante, o que não seria prudente. No entanto, se não tivesse gostado tanto, certamente não teria voltado tantas vezes. Ou talvez tivesse voltado apenas para tomar um café com Stephan e Sabrina, que sempre me tratam tão bem.

São Paulo, gastronomicamente falando, é uma cidade repleta de lugares a se conhecer e aonde ir. Eu mesma tenho vários ainda na minha lista. Mas, por tudo o que tentei expor aqui, é ao Sainte Marie que meu coração pede sempre para eu voltar.

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Meu TCC

Sempre valorizei muito o papel dos professores na minha vida, porque a constatação da importância deles me veio muito cedo. Não seria nada sem pessoas como Ana, Diva e Kokinho, e digo isso sem pudor algum.

Na faculdade de direito confesso que, apesar de ter tido professores grandiosos, não me senti inspirada por nenhum deles. Desconfio que isso aconteceu por eu nunca ter gostado do curso. Uma pena.

Em jornalismo, tive a oportunidade e a sorte de cruzar com mentes brilhantes que a cada dia foram me fazendo ter certeza de que finalmente eu estava no caminho certo. Tive a sorte de contar com duas delas na apresentação do meu trabalho de conclusão de curso.

Cheguei à UFRN na quinta-feira passada às 8h16, morrendo de medo de me atrasar. Minha apresentação do TCC deveria começar às 9h. Minhas professoras chegaram uns 15 minutos antes do horário marcado e deram de cara com uma mulher muito agoniada, o que acabou sendo ótimo, porque elas viram como eu estava e já foram tentando me acalmar.

Tive a ideia de levar comidinhas, afinal meu trabalho foi uma análise do discurso sobre jornalismo gastronômico que faço aqui no blog. Achei que combinava. Além do que, começar arrumando alguma coisa seria uma forma de me distrair e me acalmar.

Como eu não tinha condição de sequer esquentar água, pedi a Marina (entenda-se Flor de Sálvia) para me ajudar e ela sugeriu que eu levasse carne de sol desfiada com creme de requeijão light acompanhada de chip de batata doce, brownie de chocolate e suco de amora, tangerina e graviola.

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Estava tudo ótimo, mas arrumar isso aí não me acalmou nadinha. Paciência.

Enfim. Minha banca foi formada por Socorro, minha orientadora, Maria Erica, que foi minha professora de metodologia, e Karla, orientanda de Socorro no mestrado.

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Comecei minha apresentação tremendo e, depois das considerações de Maria Erica, comecei a chorar, o que continuou quando Socorro fez as considerações dela.

Sem desmerecer as palavras de Karla, que analisou o trabalho mais tecnicamente, foi muito gratificante ouvir o que minhas professoras falaram, porque elas conviveram comigo e sabem da importância do curso na minha vida.

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Jamais vou esquecer a delicadeza das palavras de Maria Erica, que, não apenas leu meu blog, mas realmente se interessou por ele (e ainda me levou uma revista de presente).

Socorro, ao aceitar meu convite, me deixou tranquila e muito à vontade para eu fazer o trabalho da forma mais leve possível.

Ao final, depois de receber a nota máxima, me transformei na pessoa mais feliz do mundo, mas também na mais chorona. Realmente não esperava, por razões que não vou expor aqui (e que não interessam a quase ninguém).

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Escrevo esse post para agradecer a paciência, a disponibilidade e o carinho que essas três mulheres tiveram comigo. Todos os alunos, principalmente aqueles com a mesma dificuldade de falar para público que eu tenho, merecem uma banca compreensiva e amável como a minha.

Obrigada, Socorro, Maria Erica e Karla, por terem transformado um momento tenso em algo lindo. Jamais vou me esquecer do quão especial foi a minha manhã do dia 22 de maio de 2014.

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Uma véspera agoniada

Fiquei fora do ar esse tempo todo, porque meu foco estava em outras coisas. Uma delas é a apresentação do meu trabalho de conclusão do curso de jornalismo, o tal TCC.

Estou escrevendo agora, nestante, depois de duas taças de espumante, tomadas para me deixar mais calma. Não deixaram, que fique claro.

Minha esperança é conseguir dormir ao menos cinco horas essa noite. O danado é que estou pilhadinha da silva e querendo dormir, o que vai dificultar muito meu intento.

Pode existir alguém no mundo que goste tão pouco de falar em público quanto eu, mas acho muito pouco provável que pânico maior atinja algum ser vivente. Sei que isso não combina com a persona que todo mundo conhece, mas é a minha realidade.

E o mais ridículo é que amanhã meu público vai ser de três pessoas, que compõem minha banca, porque eu praticamente proibi minha orientadora de chamar quem quer que fosse para me assistir falando sobre meu trabalho. Óbvio que eu não convidei ninguém também. Deus é mais!

Já mencionei que estou na segunda taça de vinho, certo? Estava. Enchi a terceira e estou aqui atacada, exatamente como estava quando cheguei do trabalho. Sim, do trabalho, porque não deu para ir até a universidade hoje. Simplesmente não deu, porque meus nervos não me deixaram.

Mas amanhã chega já e eu acabo com essa agonia. Enquanto isso, resolvi ressuscitar Oasis e o clip mais lindo da banda, que não tem nada a ver com meu momento, mas é maravilhoso.

 

 

 

 

 

 

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Mémoire

Sei que planos não têm muita serventia, que a gente não se governa, que de uma hora para outra as coisas podem simplesmente mudar. Eu sei. Juro.

Mas há pouco, olhando um post do Conexão Paris, em que Rodrigo Lavalle fala do Art Ludique, um novo museu que fica na Cité de la Mode e du Design, chorei.

Há exatas três semanas eu estava no Le Nüba, um bar que fica em cima da CMD, com vista do Sena e de uma bela parte de Paris. O lugar é lindo, e, quando o vi pela primeira vez, quando estava no metrô, só me veio à cabeça que era uma duna linda colorindo o cinza da cidade, que viu quase nada de sol nos dias em que estive ali.

Foi uma noite linda, rica, regada a rosé e compartilhada com pessoas que me fizeram pensar e repensar ideias e comportamentos.

Mas o que mais me deixou empolgada, foi o fato de eu ter me soltado e falado francês como se não houvesse amanhã. Com erros, claro, muitos. Mas eu não estava nem aí. A garrafa e meia de vinho (sim, no final, acabei bebendo esse tanto) me deixou mais solta e menos envergonhada. Oui, le vin, il m’aide. Conversei, opiniei, me meti nos assuntos de todo mundo que estava junto e amei cada segundo.

Falei sobre planos antes, apenas porque há alguns dias eu percebi que os meus podem, sim, mudar. Mas não importa o que aconteça: Paris pegou uma parte de mim e se apropriou. E quer saber? não quero esse pedaço de volta; o lugar dele é mesmo lá.

priscila, benjamin, eu

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Bazzar

Vim (sim, escrevo daqui) ao Bazzar porque estava atrás de uma opção diferente, boa e perto do apartamento onde estou em Ipanema. Com indicação de Fábio Moon, um paulista apaixonado por comida, acabei fazendo reserva aqui.

Mesmo estando sozinha, me foram oferecidas várias opções de mesa, algo que eu achei ótimo. Todas as vezes que quis comer sozinha no Brasil, em locais que têm balcão, acabei sendo sempre empurrada para um. O problema é que eu me acostumei e vim para o do Bazzar feliz da vida.

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Assim que sentei, me foi servido o couvert, gratuito, com torrada com alecrim, chutney de tomate, azeitonas e manteiga. A torrada estava boa, mas podia estar mais crocante. O chutney de tomate com passas, especiarias e canela estava delicioso. Agradou meu
paladar principalmente porque não estava muito doce.

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Para jantar, pedi o hambúrguer de picanha com foie gras e echalote caramelizada, que vem acompanhado de salada.

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O hambúrguer veio mal passado e isso o deixou perfeito. Ainda me impressiono com o tanto de combinação bacana é possível se fazer com foie gras. A echalote, caramelizada com vinho do Porto, trouxe o adocicado perfeito para o hambúrguer, que não está mais no cardápio, mas é servido se o comensal pedir (se não fosse por Fábio, não saberia da existência do sanduíche).

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A sobremesa foi o crème brulée de pistache com flor de sal do Porto – o creme brulee é normal mesmo e o pistache é só esse que está em cima.
Particularmente, achei ótimo, porque ele estava bem crocante. De qualquer forma, preciso dizer que não senti sabor de flor de sal nem de vinho do Porto, o que não atrapalhou em nada, já que comi um ótimo crème brulée. E preciso dizer: tem meu respeito quem usa na receita baunilha de verdade.

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O vinho, um riseling alemão super suave, me fez imensamente feliz e casou de forma brilhante c a sobremesa.

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Foi uma refeição tão saborosa, que fiz questão de compartilhar o quanto antes.

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Yanni, meu lindo, venha cá

Quando fui ao show de Yanni em 2012, uma criatura se levantou no meio de uma fala dele e pediu um beijo. Ele se levantou, chamou a corajosa e tascou o beijo, certo?

Eu e o Credicard Hall inteiro testemunhamos a cena. Para a grande maioria aquilo foi só um momento divertido no meio da apresentação. Mas para mim foi bem mais que isso.

Ao mesmo tempo em que achei o máximo a coragem daquela mulher, fiquei muito p da vida comigo, porque eu jamais faria algo parecido. Só o fato de pensar em tentar me dava um negócio na boca do estômago, sabe como?

Quase dois anos depois, estou decidida a ser a mulher beijada por Yanni no próximo show. Quando eu digo decidida, quero dizer primeiramente que vou (meu ingresso está comprado desde o ano passado).

Segundamente, que vou tomar uma dose de alguma coisa antes de ele começar. (Sim, sou daquelas que precisa de combustível alcóolico para conseguir realizar certas tarefas. Sorry.)

Terceiramente, ao menos teoricamente, munida de uma coragem que ainda não sei de onde vai sair, vou me levantar no meio do espetáculo e fazer o que aquela mulher fez: pedir um beijo.

O danado é que nem na minha cabeça eu consegui fazer isso ainda. Sabe quando você fecha os olhos, imagina uma cena e mesmo sendo a dona da história (sim, porque a imaginação é sua e você inventa com ela o que quiser, não é assim?) não consegue ir até o final? Pois pronto!

Quando, de olhos fechado, me vejo no meio do estádio do Ibirapuera, onde o show vai acontecer, em algum momento eu até me levanto. Mas fico lá igual a um dois de paus, parada, estática, sem fazer nada. E eventualmente eu me sento, porque a pessoa atrás de mim avisa que estou atrapalhando. Então abro os olhos. E fico tão irada comigo, mas tão irada, que nem sei explicar.

Tenho dois dias para visualizar melhor a arrumação e chegar ao Ibirapuera mais segura. Qualquer coisa, eu apelo para uma dose maior ou um líquido mais forte. Se nem assim eu conseguir meu intento, ao menos terei visto mais uma vez o homem da voz mais linda e dos dedos mais hábeis do meu mundo. E seguirei viagem feliz da vida.

 

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